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Política

Tarifaço de Trump muda estratégia eleitoral do PT e reforça aposta em encontro com Lula

06/06/2026 19:01 Por Redação NTD

Planalto busca reunião entre os Presidentes enquanto PT redireciona discurso político para reação ao tarifaço

O anúncio de uma proposta do governo dos Estados Unidos para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros provocou uma reviravolta nos planos políticos do Palácio do Planalto e do Partido dos Trabalhadores. Diante do impacto econômico e simbólico da medida, interlocutores do governo passaram a intensificar as articulações para viabilizar um encontro entre Lula e o Presidente norte-americano Donald Trump ainda em junho. A avaliação em Brasília é de que uma conversa direta entre os dois líderes pode ajudar a conter o agravamento da crise diplomática, e abrir espaço para negociações capazes de reduzir os efeitos do chamado “tarifaço” sobre as exportações brasileiras.

A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos também obrigou o PT a rever a estratégia de comunicação que havia sido definida recentemente em uma reunião com Lula. Até então, a orientação da campanha governista para o período pré-eleitoral era concentrar esforços na divulgação de pautas consideradas positivas para a gestão federal, especialmente a aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Com a escalada da tensão entre Brasília e Washington, porém, dirigentes partidários decidiram alterar o foco das manifestações públicas e dos discursos políticos.

Mudança de rumo

De acordo com relatos de bastidores, a nova diretriz repassada à militância e aos parlamentares do PT é concentrar praticamente todas as ações políticas e de comunicação na crítica ao que os petistas chamam de “Tariflávio”, expressão utilizada por integrantes do partido para tentar associar a proposta tarifária norte-americana ao campo político ligado ao bolsonarismo. A estratégia busca transformar o embate comercial em tema central do debate público, apresentando a medida como uma ameaça aos interesses econômicos nacionais e aos setores produtivos que dependem das exportações para o mercado norte-americano.

Enquanto isso, a pauta considerada prioritária pelo governo até poucos dias atrás acabou ficando em segundo plano. Embora tenha sido aprovada na Câmara, a PEC que prevê o fim da escala 6x1 ainda depende da análise do Senado, sob a presidência de Davi Alcolumbre, para avançar. Com as atenções voltadas para o impasse comercial com os Estados Unidos, integrantes do Planalto avaliam que o encontro entre Lula e Trump pode se tornar um dos movimentos diplomáticos mais importantes do mês, tanto para as relações bilaterais quanto para os desdobramentos políticos internos que antecedem a disputa eleitoral.