Marca aposta no legado do Rei do Futebol para disputar espaço com a Jordan Brand, da Nike, que vem ganhando protagonismo na Seleção Brasileira
Em meio à febre das camisas verde-amarelas que antecede a Copa do Mundo de 2026, uma disputa de símbolos e narrativas ganhou força no mercado esportivo brasileiro. De um lado, a Jordan Brand, da Nike, que estampou o icônico “Jumpman” em uniformes da Seleção Brasileira, e consolidou uma poderosa conexão entre futebol e cultura pop global. Do outro, a tradicional Athleta decidiu recorrer ao maior patrimônio da história do esporte nacional: Pelé. A estratégia é clara: usar a imagem e o legado do Rei do Futebol para reafirmar a identidade brasileira em um mercado cada vez mais dominado por marcas internacionais.
A iniciativa ganhou forma por meio de uma coleção especial desenvolvida pela Athleta em parceria com a marca Pelé, atualmente administrada pela família do craque junto com Neymar pai, por meio da NR Sports. Inspiradas na trajetória do único jogador tricampeão mundial da história, as peças foram lançadas às vésperas do Mundial de 2026, e trazem referências visuais ligadas ao eterno camisa 10, incluindo o tradicional número usado por Pelé, e a silhueta de sua emblemática comemoração com o soco no ar. A campanha conta com a participação do ator Lucas Agrícola, que interpretou o Rei do Futebol na série “Brasil 70: A Saga do Tri”, e também de Flávia Arantes do Nascimento, filha do ex-jogador, reforçando o vínculo emocional da iniciativa.
Guerra de símbolos
A movimentação da Athleta ocorre em um contexto de debate crescente entre torcedores sobre a presença da marca Jordan nos uniformes ligados ao futebol brasileiro. Para muitos, o uso do símbolo criado em homenagem ao astro do basquete Michael Jordan não tem ligação com as raízes do esporte nacional e representa apenas mais uma estratégia global de marketing da Nike. Já a Athleta aposta justamente no contraponto histórico, lembrando que foi a fornecedora de material esportivo que acompanhou Pelé e a Seleção Brasileira durante parte de sua era mais vitoriosa. A marca vestiu o Brasil entre as décadas de 1950 e 1970, período que incluiu conquistas de três Copas do Mundo.
Mais do que uma simples coleção de roupas, a iniciativa representa uma disputa por relevância cultural em um mercado altamente competitivo. Ao recuperar a imagem de Pelé, considerado por público e crítica especializada como o maior jogador de todos os tempos, a Athleta busca se posicionar como guardiã de uma herança esportiva genuinamente brasileira. Em tempos em que o marketing esportivo valoriza cada vez mais narrativas, identidade, e conexão emocional, a marca aposta que o legado do Rei do Futebol continua sendo um dos ativos mais poderosos do esporte nacional.