Mulher também foi denunciada por exercício ilegal da profissão, falsa identidade e estelionato após se apresentar como nutricionista
Durante anos, ela construiu uma imagem de profissional da saúde, atendendo pacientes, elaborando dietas e utilizando um registro profissional que não lhe pertencia. Mas, segundo as investigações da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a suposta nutricionista escondia uma série de fraudes que iam muito além do exercício ilegal da profissão. Moradora do Gama, no Distrito Federal, Thainah Ohana dos Santos Maia, de 34 anos, é acusada de se passar por nutricionista e de desviar mais de R$ 130 mil dos próprios avós, ambos com 87 anos.
De acordo com a investigação, a mulher utilizava o número de registro de uma nutricionista verdadeira com nome semelhante ao seu para realizar consultas presenciais e online, elaborar planos alimentares, solicitar exames de bioimpedância e indicar suplementos e fórmulas manipuladas. O Conselho Regional de Nutrição constatou que ela não concluiu a graduação e não possuía autorização para atuar na profissão. As suspeitas vieram à tona após pacientes procurarem a verdadeira profissional para esclarecer dúvidas sobre atendimentos recebidos.
Golpe dentro da família
Além da falsa atuação profissional, a investigação aponta que Thainah se aproveitou da confiança dos avós para controlar as finanças do casal e realizar uma série de movimentações fraudulentas. Segundo a polícia, ela teria ocultado informações bancárias, falsificado extratos, realizado transferências para contas pessoais e acumulado dívidas em nome das vítimas. Em um dos episódios relatados no processo, a acusada teria apresentado documentos adulterados para convencer os idosos de que os valores continuavam disponíveis em suas contas, quando grande parte do dinheiro já havia sido desviada.
As apurações também indicam que a investigada mantinha um padrão de vida incompatível com sua renda declarada, promovendo rifas, anunciando produtos de valor elevado e realizando movimentações financeiras suspeitas. A Justiça já recebeu denúncias por crimes como falsa identidade, estelionato e exercício ilegal da profissão, enquanto outras linhas de investigação continuam em andamento. Caso seja condenada, a acusada poderá responder por diversos delitos relacionados tanto aos golpes aplicados nos pacientes quanto aos prejuízos causados aos próprios familiares idosos.