Expectativa cresce nos bastidores do setor produtivo após rumores de que Washington prepara novas sanções comerciais ainda nesta semana
O fim de semana terminou com o mercado brasileiro olhando para Washington. Enquanto empresários e exportadores monitoram cada movimento da Casa Branca, cresce a expectativa de que os Estados Unidos anunciem já nos próximos dias uma nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros, ampliando a tensão comercial entre os dois países e acendendo um alerta no setor produtivo nacional.
Segundo fontes ligadas ao empresariado, o governo norte-americano estaria finalizando a definição dos produtos que poderão ser atingidos pelas novas taxas dentro das investigações conduzidas pela chamada Seção 301. A avaliação predominante é que a eventual decisão terá forte componente político, já que os Estados Unidos continuam registrando superávit na balança comercial com o Brasil, o que enfraquece argumentos puramente econômicos para justificar novas barreiras.
Pressão crescente
Nos bastidores das relações entre Brasília e Washington, a expectativa é de que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) possa anunciar tarifas elevadas já nesta segunda-feira, abrindo posteriormente um período para manifestações públicas. Caso a medida seja confirmada, ela representará uma mudança de rumo nas negociações conduzidas pelos Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que haviam estabelecido um prazo de 30 dias para buscar uma solução negociada e evitar um novo confronto tarifário.
O governo brasileiro assume estar desinformado, e afirma não ter recebido qualquer comunicação oficial sobre alterações nas tarifas, mas acompanha o cenário com cautela. Integrantes da área diplomática consideram que o Brasil apresentou todos os esclarecimentos exigidos ao longo das investigações e aguardam uma definição formal dos Estados Unidos antes de avaliar eventuais respostas. A preocupação do setor empresarial é que um novo tarifaço amplie a insegurança comercial e provoque impactos relevantes sobre exportações estratégicas brasileiras em um momento de desaceleração da economia global.