Jovem brasileiro derrota Casper Ruud, alcança as quartas de final e revive no saibro francês uma trajetória que remete aos grandes momentos do tênis nacional
Paris viveu neste domingo um daqueles capítulos que entram para a memória do esporte brasileiro. Diante de uma quadra Philippe-Chatrier lotada e sob o olhar atento de Gustavo Kuerten, o jovem João Fonseca transformou o principal palco de Roland Garros em cenário de uma atuação histórica. Aos 19 anos, o carioca derrotou o norueguês Casper Ruud por 3 sets a 1 e garantiu vaga nas quartas de final do Grand Slam francês, recolocando o Brasil entre os protagonistas do torneio após mais de duas décadas.
A vitória veio após uma batalha de quase quatro horas, com parciais de 7/5, 7/6 (10/8), 5/7 e 6/2. Fonseca mostrou personalidade diante de um adversário experiente, duas vezes finalista de Roland Garros, e foi decisivo nos momentos mais importantes da partida. O brasileiro dominou o quarto set e confirmou uma classificação que já figura entre os maiores resultados de sua jovem carreira.
Encontro de gerações
A presença de Gustavo Kuerten deu um significado ainda mais especial ao feito. Tricampeão de Roland Garros e último brasileiro a alcançar as quartas de final do torneio, em 2004, Guga acompanhou de perto a atuação de Fonseca. A cena simbolizou a passagem de bastão entre duas gerações e inevitavelmente despertou comparações com os primeiros passos do catarinense no saibro francês, quando também começava a surpreender o mundo do tênis.
Com a classificação, João Fonseca segue ampliando uma campanha que já chama a atenção do circuito internacional. Depois de eliminar adversários de peso ao longo do torneio, o brasileiro confirma seu lugar entre os principais talentos da nova geração e mantém vivo o sonho de conquistar um resultado ainda mais expressivo em Paris. Para o tênis brasileiro, o domingo representou mais do que uma vitória: foi a sensação de que Roland Garros voltou a ter sotaque verde e amarelo.