Problemas no asfaltamento da MT-170 levaram Estado a acionar órgãos de controle e abrir processos contra empresas responsáveis
O asfalto mal resistiu ao tempo e a estrada que deveria simbolizar desenvolvimento virou dor de cabeça para o governo de Mato Grosso. Sob pressão de políticos, prefeitos, vereadores e órgãos de fiscalização, a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) admitiu falhas graves nas obras da MT-170, no Noroeste do Estado, e encaminhou um dossiê técnico ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e à Controladoria Geral do Estado (CGE).
Segundo a Sinfra, auditorias identificaram problemas considerados prematuros em um trecho de 50,7 quilômetros da rodovia, executado pelo Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MT Sul. Os relatórios apontam falhas na compactação do solo, uso de materiais abaixo das especificações previstas e espessura inadequada da camada de asfalto. O custo estimado para corrigir os danos chega a R$ 42 milhões.
Cerco aumenta
A crise ganhou dimensão política após denúncias de vereadores e parlamentares da região, que acionaram o TCE para investigar o caso. O tribunal passou a tratar a situação como grave e anunciou auditorias para apurar a qualidade da obra, estimada em cerca de R$ 675 milhões. O desgaste aumentou a troca de acusações entre aliados e adversários do governo estadual, antecipando o clima eleitoral em Mato Grosso.
O governo informou que já notificou as empresas responsáveis dezenas de vezes desde 2023 e que está em fase final de um processo para rescindir contratos, aplicar multas superiores a R$ 4 milhões e suspender as construtoras de futuras licitações públicas. Além disso, a Sinfra abriu procedimentos para investigar possíveis falhas de fiscalização e até indícios de enriquecimento ilícito ligados à execução da obra. O Estado afirma que pretende acionar garantias contratuais para recuperar os prejuízos e colaborar com as investigações conduzidas pelos órgãos de controle.