Comunidade quer transformar terreno abandonado do Estado em ligação para pedestres e critica projeto
O terreno tomado por viaturas sucateadas, mato alto e décadas de abandono voltou ao centro de uma disputa urbana em Botafogo. O espaço, localizado entre as ruas General Polidoro e Professor Álvaro Rodrigues, virou alvo de um projeto que pretende instalar um terminal intermodal na região. A proposta, porém, encontrou forte resistência de moradores, que defendem outro destino para a área: a reabertura de uma antiga passagem que facilitaria a circulação de pedestres e ajudaria a integrar diferentes pontos do bairro.
A iniciativa apresentada pelo vereador Flávio Valle (PSD) prevê a criação de uma estrutura para integração entre ônibus municipais, transporte complementar, bicicletas, táxis, carros por aplicativo e a estação de metrô de Botafogo. O objetivo seria reorganizar o fluxo de veículos e melhorar a mobilidade urbana na Zona Sul. No entanto, moradores argumentam que a instalação de um terminal pode aumentar os congestionamentos e intensificar a circulação de ônibus em uma área já considerada saturada pelo trânsito diário.
Passagem reivindicada
A principal reivindicação da população é que o terreno seja convertido em uma rua de passagem ligando diferentes trechos do bairro, retomando uma conexão urbana interrompida durante as obras do metrô, nos anos 1970. A demanda não é nova e vem sendo defendida há décadas por moradores, urbanistas e representantes locais, que apontam a falta de acessos diretos para pedestres como um dos principais problemas de mobilidade em Botafogo.
Além da discussão sobre o futuro da área, o estado atual do terreno também gera críticas. O local, pertencente à RioTrilhos, abriga dezenas de viaturas da Polícia Militar fora de operação e é frequentemente apontado como símbolo do abandono do espaço público. Para os moradores, antes de qualquer grande intervenção, a prioridade deveria ser devolver a área à população com um projeto que privilegie a circulação de pessoas, a segurança urbana e a integração do bairro, em vez da criação de um novo polo de concentração de ônibus.