Prefeitura recua no prazo inicial e mudança no sistema de pagamento só deve entrar em vigor no fim de junho
A decisão da Prefeitura do Rio de acabar com o pagamento em dinheiro dentro dos ônibus municipais sofreu um freio de última hora e provocou nova onda de dúvidas entre milhões de passageiros cariocas. O prefeito Eduardo Cavaliere anunciou Nesta sexta-feira, 29, que a medida, que começaria a valer já neste sábado, foi adiada para o dia 28 de junho após pedido do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A mudança faz parte da implantação definitiva do sistema Jaé e da modernização da bilhetagem municipal, mas o recuo expôs a pressão jurídica e política em torno de uma das alterações mais polêmicas do transporte público da capital nos últimos anos.
Segundo a Prefeitura, o desembargador José Roberto Portugal Compasso reconheceu a legalidade do fim do dinheiro circulando dentro dos coletivos, mas determinou um prazo adicional de 30 dias para adaptação total da população e do sistema operacional. A gestão municipal argumenta que a retirada do pagamento em espécie aumentará a segurança nos ônibus, reduzirá assaltos, eliminará a dupla função dos motoristas e acelerará o embarque dos passageiros. Ainda assim, a medida vem sendo alvo de críticas de usuários preocupados com dificuldades de acesso ao cartão Jaé, falhas tecnológicas e exclusão de passageiros sem celular ou acesso fácil aos pontos de recarga.
Mudança polêmica
A prefeitura afirma que o pagamento em dinheiro não será extinto do sistema de transportes como um todo, já que os passageiros continuarão podendo comprar créditos em dinheiro para utilizar no cartão Jaé. Atualmente, apenas 9% das viagens nos ônibus municipais ainda são pagas em espécie, segundo dados divulgados pelo município. O governo municipal também sustenta que a digitalização já vem acontecendo naturalmente, seguindo um modelo semelhante ao adotado em modais como BRT e VLT, que operam sem dinheiro físico há anos.
Apesar disso, o adiamento escancarou a dificuldade da prefeitura em implementar rapidamente uma mudança que afeta diretamente milhões de pessoas diariamente. Nas redes sociais e fóruns online, muitos passageiros criticaram a falta de estrutura para atender idosos, trabalhadores informais e pessoas sem acesso constante à internet ou aplicativos bancários. O tema também reacendeu críticas antigas sobre o sistema de transporte do Rio, marcado por tarifas elevadas, superlotação e problemas recorrentes na operação dos ônibus. Com a nova data marcada para 28 de junho, a prefeitura agora tenta evitar que a transição vire mais uma crise de mobilidade urbana em uma cidade já pressionada por um sistema de transporte frequentemente alvo de reclamações da população.