Depoimentos no Tribunal do Júri do Rio aumentam pressão sobre defesa do ex-vereador e reacendem comoção nacional em torno da morte de Henry
O julgamento do caso Henry Borel voltou a provocar forte comoção no país nesta quinta-feira após novos depoimentos carregados de acusações graves contra o ex-vereador Dr. Jairinho. Durante audiência no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a ex-namorada Débora Mello Saraiva afirmou ter sido dopada, estuprada e agredida fisicamente pelo ex-parlamentar durante o relacionamento que manteve com ele entre 2014 e 2020. O relato, considerado um dos mais impactantes desde o início do júri, ampliou ainda mais o cerco em torno de Jairinho, já acusado pela morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. Segundo a testemunha, além das agressões contra ela, o próprio filho também teria sofrido violência física praticada pelo ex-vereador.
De acordo com o depoimento prestado no tribunal, Débora relatou que o filho revelou ter sido agredido por Jairinho após assistir a uma reportagem sobre o caso Henry, em 2021. A criança teria contado que o ex-vereador “pisou na barriga dele e ficou rindo”, segundo o relato da mãe. Em outro trecho considerado extremamente perturbador, a testemunha afirmou que, durante uma viagem para Angra dos Reis, teria sido dopada e abusada sexualmente pelo então companheiro. Ainda segundo ela, naquela mesma noite o filho sofreu agressões e teve a boca tampada para impedir que gritasse. As declarações aumentaram a tensão dentro do tribunal e levaram Jairinho a deixar o plenário durante parte da oitiva da ex-companheira.
Relatos devastadores
O quarto dia de julgamento também contou com depoimentos de outra ex-namorada do ex-vereador e da filha dela, que igualmente relataram episódios de violência e comportamento agressivo atribuídos a Jairinho. Os testemunhos reforçam uma linha apresentada pelo Ministério Público de que o ex-parlamentar teria histórico de agressões contra mulheres e crianças. O caso Henry Borel, que chocou o Brasil em 2021, ganhou enorme repercussão nacional após a morte do menino apresentar sinais de tortura e múltiplas lesões. Jairinho e Monique Medeiros, mãe da criança, respondem pelo homicídio da criança e seguem no centro de um dos julgamentos mais acompanhados do país nos últimos anos.
Nos bastidores do tribunal, o clima é de enorme pressão emocional diante da sucessão de relatos dramáticos apresentados ao júri. A defesa de Jairinho nega as acusações e tenta desqualificar parte dos depoimentos, enquanto o Ministério Público sustenta que os testemunhos ajudam a demonstrar um padrão de comportamento violento do ex-vereador. A cada nova audiência, o caso volta a mobilizar a opinião pública e reacende debates sobre violência doméstica, proteção infantil e falhas que poderiam ter evitado a morte de Henry Borel. Mais de cinco anos após o crime que abalou o país, o julgamento continua cercado por tensão, revolta e expectativa por uma condenação considerada histórica.