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Economia

Dívida pública dispara, encosta em R$ 8,8 trilhões e amplia alerta sobre rombo nas contas do país

28/05/2026 19:06 Por Redação NTD

Com juros elevados e necessidade crescente de financiamento, governo vê endividamento avançar em ritmo acelerado

A conta do endividamento brasileiro ficou ainda mais pesada em abril e acendeu novos sinais de alerta sobre a situação fiscal do país. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que a Dívida Pública Federal saltou para R$ 8,798 trilhões, crescimento de 1,91% em apenas um mês. O avanço reforça a escalada contínua do rombo financeiro da União, pressionado por juros elevados, aumento das despesas públicas e dependência cada vez maior da emissão de títulos para sustentar as contas do governo.

Somente em abril, o Tesouro precisou emitir R$ 201,09 bilhões em títulos públicos; o maior volume já registrado para o período. Na prática, isso significa que o governo precisou ampliar ainda mais o endividamento para financiar despesas e manter a máquina pública funcionando. Além disso, os próprios juros da dívida adicionaram R$ 92,54 bilhões ao estoque total em apenas 30 dias. Com a Taxa Selic mantida em 14,5% ao ano, o custo para o país continuar rolando a dívida se torna cada vez mais alto, criando um efeito em cascata que dificulta o equilíbrio fiscal e aumenta a pressão sobre a economia.

Dependência perigosa

O cenário preocupa ainda mais porque grande parte da dívida está concentrada em títulos atrelados à Selic, o que faz o estoque crescer automaticamente sempre que os juros permanecem elevados. Atualmente, quase metade da dívida federal depende diretamente da taxa básica de juros. Paralelamente, a dívida externa também aumentou após o governo captar 5 bilhões de euros no mercado internacional, ampliando a exposição do país ao financiamento externo em um momento de incertezas econômicas globais.

As projeções oficiais indicam que a dívida pública pode ultrapassar R$ 10 trilhões ainda em 2026, cenário que intensifica preocupações de investidores e economistas sobre a capacidade do governo de controlar os gastos nos próximos anos. Embora o Tesouro destaque o crescimento do chamado “colchão da dívida”, usado para garantir pagamentos em momentos de crise, especialistas avaliam que o aumento acelerado do endividamento pode comprometer investimentos, pressionar ainda mais os juros e reduzir a confiança no ambiente econômico brasileiro.