Especialistas apontam que uso indiscriminado de hormônios pode provocar hipertrofia cardíaca, insuficiência e até morte súbita em jovens
O corpo musculoso que muitos perseguem nas academias pode esconder uma ameaça fatal crescendo em silêncio dentro do peito. A morte do influenciador fitness Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o alerta de médicos sobre os perigos do uso de anabolizantes sem acompanhamento profissional. Segundo especialistas, substâncias usadas para acelerar ganho muscular podem provocar hipertrofia cardíaca — um aumento anormal do músculo do coração — elevando drasticamente o risco de arritmias, insuficiência cardíaca e morte súbita, especialmente entre jovens e atletas.
De acordo com cardiologistas, o problema acontece porque o coração também é um músculo e responde aos esteroides anabolizantes da mesma forma que braços e pernas. O resultado pode ser devastador: o órgão cresce acima do normal, torna-se mais rígido e perde eficiência para bombear sangue. Médicos alertam ainda que muitos usuários entram em uma espécie de “ilusão de invulnerabilidade”, aumentando doses e misturando substâncias sem qualquer controle médico, o que potencializa os danos cardiovasculares e acelera complicações graves.
Risco invisível
Especialistas explicam que muitas vítimas podem carregar predisposição genética para doenças cardíacas sem saber. Em casos de cardiomiopatia hipertrófica, por exemplo, o uso de anabolizantes pode funcionar como gatilho para acelerar sintomas e agravar uma condição silenciosa. Exames simples, como eletrocardiograma e ecocardiograma, poderiam identificar alterações precoces e evitar tragédias. Entre os sinais de alerta estão falta de ar, dor no peito, desmaios, tontura e histórico familiar de morte súbita.
Além dos danos ao coração, o uso indiscriminado de anabolizantes também está associado a problemas hepáticos, infertilidade, alterações hormonais, agressividade, queda de cabelo e complicações irreversíveis em homens e mulheres. No Brasil, o uso dessas substâncias para fins estéticos ou de performance esportiva é proibido sem indicação médica adequada. Mesmo assim, especialistas afirmam que o consumo continua crescendo entre jovens influenciados por padrões estéticos extremos e pela busca de resultados rápidos nas redes sociais e nas academias.