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Parada LGBT de SP sofre tombo milionário e vê debandada de patrocinadores aos 30 anos

27/05/2026 04:32 Por Redação NTD

Maior evento LGBT+ do mundo perde cerca de 60% da receita de marcas e terá edição reduzida em 2026

A poucos dias de celebrar três décadas de existência, a tradicional Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo chega a 2026 cercada por um cenário de alerta, frustração e forte esvaziamento financeiro. O evento, que durante anos foi tratado como vitrine obrigatória para grandes marcas e multinacionais, perdeu cerca de 60% das receitas de patrocínio em comparação com edições anteriores. O impacto já atinge diretamente a estrutura da manifestação, considerada a maior do mundo no segmento, e deve reduzir número de trios elétricos, ativações e atrações previstas para a Avenida Paulista. 

Organizada pela APOLGBT-SP, a edição deste ano contará, até agora, com apenas três marcas confirmadas: Amstel, Amstel Vibes e Philip Morris Brasil. O contraste é enorme diante dos números registrados nos últimos anos, quando o evento chegou a reunir quase 20 patrocinadores simultaneamente. Segundo dirigentes da associação, empresas passaram a reduzir investimentos ligados à diversidade, especialmente após mudanças no cenário político internacional e a crescente pressão de setores conservadores contra campanhas institucionais associadas à pauta LGBT+.  

Clima de retração

Nos bastidores, organizadores relatam que muitas companhias passaram a enxergar ações de diversidade como “risco reputacional”, reduzindo verbas destinadas ao chamado marketing de orgulho. Ativistas criticaram o movimento e declararam que direitos humanos não podem ser tratados apenas como tendência de mercado. A avaliação dentro da organização é de que houve uma mudança brusca no comportamento corporativo, principalmente entre multinacionais que antes estampavam suas marcas no evento e agora optam por uma postura mais discreta. 

Mesmo diante da crise, a Parada seguirá ocupando a Avenida Paulista no próximo dia 7 de junho com o tema “30 Anos de Parada SP — A rua convoca, a urna confirma”. A organização tenta transformar o momento de dificuldade em discurso político e mobilização social, reforçando a importância histórica do evento em meio ao avanço de discursos conservadores no Brasil e no exterior. Ainda assim, a queda brutal de investimentos expõe um recado duro do mercado: a era das campanhas coloridas e do entusiasmo corporativo em torno da diversidade parece enfrentar seu momento mais delicado em anos.