Renúncia em pleno julgamento expõe crise na defesa e transforma sessão em cenário de tensão, acusações e revolta
O julgamento do caso que chocou o Brasil mergulhou em mais um capítulo explosivo. Em meio ao júri popular pela morte do menino Henry Borel, um dos advogados de Jairo Souza Santos Júnior anunciou a renúncia da defesa e detonou o clima dentro e fora do tribunal. A saída ocorreu após sucessivos embates com a Justiça e em meio ao caos instalado no plenário, onde a equipe jurídica do ex-vereador alegava falta de acesso integral às provas e denunciava o que chamou de “desrespeito” ao direito de defesa. O episódio aumentou ainda mais a tensão em um dos julgamentos mais aguardados e emocionalmente carregados dos últimos anos no país.
O advogado Sergio Figueiredo afirmou que não concordava com os rumos do processo e criticou duramente a decisão de manter o julgamento mesmo após o infarto sofrido por Fabiano Lopes, principal defensor de Jairinho. Segundo ele, a continuidade da sessão representaria uma “irresponsabilidade”, já que o criminalista afastado teria papel central na estratégia da defesa. Antes da renúncia, os advogados já haviam protagonizado outra cena dramática ao abandonar o plenário após terem pedidos negados pela juíza Elizabeth Louro, incluindo solicitações de adiamento e questionamentos sobre provas digitais do processo.
Tribunal em ebulição
A sucessão de conflitos jurídicos transformou o julgamento em uma verdadeira guerra de versões. Enquanto a defesa alegava nulidades processuais e cerceamento, o Ministério Público e a magistrada enxergaram nas movimentações uma estratégia para atrasar o júri popular. A juíza chegou a classificar a atitude dos advogados como uma possível manobra premeditada e determinou comunicação à OAB para apuração disciplinar. O clima ficou ainda mais pesado diante da enorme pressão popular em torno do caso, que desde 2021 mobiliza o país e provoca forte comoção social.
Cinco anos após a morte brutal de Henry, o processo continua cercado por reviravoltas, trocas de advogados, pedidos de adiamento e disputas intensas nos bastidores. Jairinho responde por homicídio qualificado e tortura, enquanto Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão. A expectativa era de que o júri finalmente colocasse um ponto final em um caso que marcou o Brasil, mas os acontecimentos recentes mostram que a batalha judicial ainda está longe de terminar — e que cada novo movimento dentro do tribunal tem potencial para incendiar ainda mais a opinião pública.