Ex-governador do Rio é alvo de investigação que mira aplicações suspeitas da Rioprevidência em banco sob suspeita
O amanhecer desta terça-feira, 26, no Rio de Janeiro teve novamente a presença da Polícia Federal batendo à porta de um dos principais nomes da política fluminense. O ex-governador Cláudio Castro virou alvo de uma nova operação da PF, desta vez ligada aos investimentos bilionários feitos pela Rioprevidência em fundos vinculados ao Banco Master. Agentes cumpriram mandados de busca na residência do político, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, em mais uma etapa de uma investigação que vem ampliando a pressão sobre antigos integrantes do governo estadual.
Segundo as investigações, a operação desta terça integra a oitava fase da Operação Compliance Zero e apura movimentações que somam cerca de R$ 3 bilhões transferidos pela Rioprevidência para produtos financeiros ligados ao Banco Master. A PF suspeita que aplicações consideradas de alto risco tenham colocado em xeque recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores estaduais. Ao todo, foram expedidos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Rastro bilionário
A atual ofensiva é tratada como desdobramento direto da Operação Barco de Papel, iniciada após a descoberta de aportes de cerca de R$ 970 milhões da Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024. As apurações avançaram nos últimos meses após o colapso da instituição financeira e as suspeitas de fraudes envolvendo operações consideradas incompatíveis com a finalidade do fundo previdenciário estadual. Em janeiro, dirigentes da Rioprevidência já haviam sido afastados e alvos de ações da PF por suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção.
Esta é a segunda vez em menos de duas semanas que Cláudio Castro entra na mira da Polícia Federal. No último dia 15, o ex-governador já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que investiga supostas ligações entre integrantes de sua gestão e o Grupo Refit. Na ocasião, agentes apreenderam celulares e dispositivos eletrônicos do político. Até a publicação das primeiras reportagens sobre a nova operação, a defesa de Castro ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações investigadas pela PF.