Endividamento elevado muda comportamento do torcedor, que troca bares e compras por cautela financeira durante o Mundial
A paixão pelo futebol continua intacta, mas o bolso do brasileiro parece disposto a jogar na retranca durante a Copa do Mundo de 2026. Em meio ao aumento das dívidas e ao aperto financeiro enfrentado por milhões de famílias, muitos torcedores já admitem que o Mundial será acompanhado de casa, sem extravagâncias, compras impulsivas ou festas grandiosas. A pesquisa revela um cenário bem diferente do clima de euforia visto em edições anteriores da competição.
Segundo levantamento da Equifax BoaVista em parceria com a Acordo Certo, o comprometimento da renda das famílias brasileiras atingiu 86,1% no primeiro trimestre de 2026, cinco pontos acima do registrado no mesmo período do ano passado. O impacto direto aparece no comportamento do consumidor: 62,3% afirmaram que não pretendem comprar televisores ou equipamentos eletrônicos para acompanhar os jogos. Além disso, 91,6% disseram que assistirão às partidas em casa, enquanto apenas uma pequena parcela planeja frequentar bares ou eventos temáticos da Copa.
Torcida mais cautelosa
A pesquisa também mostrou que parte dos brasileiros já sentiu o peso financeiro provocado pelos gastos relacionados ao torneio. Entre os consumidores que fizeram despesas ligadas à Copa, 30,8% afirmaram ter acumulado contas, enquanto 7,6% disseram prever dificuldades para manter os pagamentos em dia. O estudo aponta ainda que a cautela chegou até às apostas esportivas: somente 11,1% demonstraram intenção de participar de bolões ou apostas envolvendo o Mundial.
Mesmo diante do cenário de contenção, especialistas avaliam que a Copa seguirá movimentando o comércio e despertando consumo emocional, especialmente conforme o desempenho da seleção brasileira avance no torneio. Pesquisas recentes indicam que muitos consumidores ainda pretendem gastar com comidas, bebidas, produtos oficiais e entretenimento, embora o medo do endividamento tenha passado a influenciar diretamente as decisões financeiras dos torcedores.