Ex-vereador alegou falta de condições para seguir no tribunal após advogado sofrer infarto; caso acumula adiamentos, tensão e batalhas judiciais
O julgamento do caso Henry Borel ganhou contornos ainda mais dramáticos nesta segunda-feira, 25, no Rio de Janeiro. Logo na abertura do júri popular, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior surpreendeu o tribunal ao destituir sua equipe de defesa, provocando uma nova reviravolta em um dos processos criminais mais chocantes e acompanhados do país. A sessão, que julga a morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, já começou em clima de tensão máxima e reacendeu o temor de novos atrasos no caso que se arrasta desde 2021.
Jairinho afirmou que seria “impossível” continuar o julgamento após o advogado principal de sua defesa, Fabiano Lopes, sofrer um infarto nos últimos dias. O ex-vereador pediu o adiamento da sessão alegando não ter tido tempo suficiente para alinhar estratégias com os demais defensores. O caso já havia sofrido outro adiamento em março, quando advogados de Jairinho abandonaram o plenário após desentendimentos envolvendo acesso a provas e pedidos negados pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Tribunal em tensão
O processo envolvendo Jairinho e Monique Medeiros se transformou, ao longo dos anos, em uma sucessão de embates judiciais, trocas de defesa e episódios de forte tensão dentro do tribunal. Em ocasiões anteriores, a relação entre advogados e magistrados já havia gerado discussões acaloradas, acusações de afronta à Justiça e até interrupções de audiências. Jairinho também acumulou mudanças em sua equipe jurídica desde o início do caso, em meio a divergências internas sobre a condução da estratégia de defesa.
Acusados pela morte de Henry Borel, Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. O caso teve enorme repercussão nacional e levou inclusive à criação da chamada Lei Henry Borel, que endureceu punições para crimes cometidos contra crianças. Enquanto o julgamento segue cercado de expectativa e comoção, familiares do menino cobram que o processo finalmente tenha um desfecho definitivo após mais de cinco anos de espera.