Levantamento baseado em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp indica que Zema e Caiado dependem de apoio emprestado
Uma análise realizada em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp no Brasil colocou a militância digital no centro da disputa presidencial de 2026 e apontou apenas três pré-candidatos com bases orgânicas próprias nas redes: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Renan Santos. Segundo o estudo da empresa Palver, responsável pelo monitoramento dos grupos públicos de WhatsApp entre os dias 6 e 24 de maio, os demais nomes competitivos da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ainda dependeriam de mobilizações “emprestadas” ou de modelos políticos tradicionais sem estrutura digital autônoma.
O levantamento sustenta que a militância petista segue sendo uma das mais resilientes da política brasileira, sobrevivendo a crises como o Mensalão, a Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e até a prisão de Lula em 2018. Já o bolsonarismo, segundo a análise, opera como um “partido digital”, conceito associado ao filósofo Marcos Nobre para definir uma estrutura política descentralizada que não depende totalmente do partido formal. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro teria herdado uma base virtual altamente mobilizada, capaz de reagir rapidamente a crises, e coordenar narrativas nas redes mesmo sem comando explícito do PL.
Militância como capital político
O texto também chama atenção para o crescimento da base ligada a Renan Santos e ao partido Missão. Embora ainda distante eleitoralmente de Lula e Flávio, o fundador do MBL aparece como o único nome fora da polarização tradicional com identidade digital própria, vocabulário reconhecível e pautas específicas capazes de mobilizar apoiadores de maneira contínua. Nos grupos monitorados, temas como industrialização do Nordeste, combate às facções criminosas, e redução de gastos do Judiciário aparecem frequentemente associados à militância do movimento.
O estudo usa o desempenho recente de Romeu Zema como exemplo da fragilidade de candidaturas sem base orgânica consolidada. Segundo a análise, o governador mineiro perdeu apoio rapidamente após criticar Flávio Bolsonaro no episódio envolvendo os áudios de Daniel Vorcaro. Sem uma militância própria estruturada para sustentá-lo nas redes, Zema teria sofrido forte reação da base bolsonarista, que antes o apoiava. A conclusão, portanto, é direta: em uma eleição cada vez mais moldada pela dinâmica digital, pesquisas medem intenção de voto, mas não necessariamente a capacidade de sobrevivência política no longo prazo. Quem tem militância pode perder a eleição e continuar existindo. Quem não tem, perde a eleição e corre o risco de desaparecer.