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Eduardo Cavaliere reage ao Procon e acusa “interesses escusos” em ofensiva contra fim do dinheiro nos ônibus

25/05/2026 01:21 Por Redação NTD

Prefeito defende implantação do sistema Jaé, afirma que medida amplia transparência no transporte e diz que cidade já opera com 95% das passagens pagas sem dinheiro vivo

A disputa em torno do fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio ganhou contornos políticos e institucionais neste fim de semana. O prefeito Eduardo Cavaliere reagiu com dureza à ação movida pelo Procon-RJ contra a retirada gradual do dinheiro vivo dos coletivos municipais e acusou críticos da medida de agirem por “oportunismo e interesses escusos”. A declaração foi feita em meio à implementação acelerada do sistema Jaé, que passará a permitir pagamentos por Pix, cartões de débito e crédito diretamente nos validadores instalados nos ônibus.  

Segundo Cavaliere, o objetivo da Prefeitura é acabar com a chamada “caixa-preta” do transporte público carioca, ampliando o controle da arrecadação e reduzindo fraudes dentro do sistema. O prefeito afirmou que o Rio deve atingir ainda nesta semana a marca de 95% das passagens pagas sem uso de dinheiro em espécie, argumento utilizado pela gestão municipal para justificar a mudança definitiva prevista para o próximo dia 30. A prefeitura também anunciou a venda do cartão unitário do Jaé em cerca de 700 bancas de jornal e a criação de mais de 1.100 pontos de recarga em dinheiro espalhados pela cidade, numa tentativa de reduzir a resistência de passageiros sem acesso fácil a bancos digitais ou cartões. 

Embate sobre modernização

Do outro lado, órgãos de defesa do consumidor e parte da população questionam a velocidade da transição e os possíveis impactos sociais da medida. O Procon-RJ cobra explicações sobre dificuldades enfrentadas por usuários na emissão e utilização do cartão Jaé, especialmente após relatos de filas, falhas em cadastros e limitações para pessoas sem familiaridade com meios digitais. Passageiros também demonstram preocupação com a obrigatoriedade indireta do uso de celular, Pix ou cartões bancários para circular pela cidade, além de questionarem se a prefeitura possui competência legal para restringir o uso de moeda corrente nacional nos ônibus municipais. 

Apesar das críticas, a Prefeitura mantém o discurso de que a mudança representa um passo importante de modernização do sistema de transporte do Rio. Integrado ao BRT, VLT, vans legalizadas e ônibus municipais, o Jaé foi criado justamente para substituir o antigo modelo controlado pela iniciativa privada e aumentar a fiscalização pública sobre receitas e número de passageiros transportados. Para Cavaliere, o processo segue o mesmo caminho da reformulação do BRT iniciada na gestão de Eduardo Paes, apostando em digitalização, rastreabilidade financeira e maior controle operacional. Enquanto isso, a disputa entre prefeitura, órgãos de fiscalização e usuários deve continuar nos próximos dias, às vésperas do fim oficial do dinheiro nos ônibus cariocas.