Prefeitura aposta na digitalização total do transporte municipal com sistema Jaé, enquanto passageiros ainda tentam se adaptar às novas regras
A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu acelerar a transformação digital no transporte público carioca. A partir dos próximos dias, os ônibus municipais da cidade passarão a aceitar pagamentos por Pix, cartões de débito e crédito diretamente nos validadores do sistema Jaé instalados dentro dos coletivos. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere em meio à reta final do processo que acabará com o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais a partir de 30 de maio.
Segundo Cavaliere, a função de pagamento via Pix deve entrar em operação antes mesmo do fim oficial do dinheiro nos coletivos, enquanto o cronograma para cartões bancários será detalhado nos próximos dias pela Secretaria Municipal de Transportes. A prefeitura afirma que a medida faz parte de um processo de modernização voltado para aumentar a transparência financeira do sistema, reduzir fraudes e diminuir a circulação de dinheiro em espécie dentro dos ônibus. Hoje, segundo dados municipais, apenas 9% das passagens ainda são pagas em dinheiro — número que já foi mais que o dobro em anos anteriores.
Digitalização acelerada
A mudança ocorre em paralelo à expansão definitiva do sistema Jaé, criado para substituir gradualmente o Riocard nos modais municipais. O novo sistema já opera no BRT, VLT, vans legalizadas e parte das linhas de ônibus, além de permitir integração por QR Code e cartões digitais vinculados ao CPF do usuário. A prefeitura sustenta que o modelo aumenta o controle sobre a arrecadação e reduz a chamada “caixa-preta” do transporte público carioca.
Apesar do discurso de modernização, a transição ainda provoca dúvidas e resistência entre passageiros, especialmente entre usuários sem acesso fácil a contas digitais ou cartões bancários. Para tentar minimizar o impacto, a prefeitura informou que o cartão unitário continuará podendo ser comprado em dinheiro em cerca de 700 bancas de jornal e mais de 1.100 pontos de recarga espalhados pela cidade. O Ministério Público do Rio chegou a abrir investigação para analisar possíveis abusos na imposição do modelo exclusivamente digital, enquanto usuários relatam dificuldades de adaptação nas primeiras linhas que já deixaram de aceitar dinheiro vivo.