Anna Sorokin, que se passou por milionária europeia para infiltrar-se na elite nova-iorquina enfrenta novo risco de extradição após anos de batalhas judiciais
Entre hotéis de luxo em Manhattan, jatinhos particulares, restaurantes exclusivos, e festas frequentadas por milionários, Anna Sorokin construiu uma personagem tão extravagante quanto convincente. Conhecida mundialmente como Anna Delvey, a jovem de origem russa fingiu durante anos ser herdeira de uma fortuna europeia para circular entre empresários, banqueiros, e celebridades da alta sociedade de Nova York. Agora, depois de transformar sua história em fenômeno cultural e inspiração para a série Inventando Anna, ela pode ser deportada “em breve” dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela imprensa americana.
A trajetória de Anna Sorokin se tornou um dos casos de fraude mais emblemáticos da última década nos EUA. Entre 2016 e 2017, ela convenceu bancos, hotéis, e integrantes da elite nova-iorquina de que possuía um fundo fiduciário milionário na Europa. Com uma combinação de desenvoltura, aparência sofisticada, e narrativas cuidadosamente construídas, conseguiu obter crédito, viagens de luxo, e hospedagens caríssimas sem pagar as contas. A promotoria americana estimou que os golpes ultrapassaram US$ 275 mil (cerca de R$ 1,4 milhão na cotação atual). Em 2019, Anna foi condenada por fraude, furto, e roubo de serviços.
Da fama à deportação
Mesmo após deixar a prisão, Anna continuou envolvida em disputas judiciais ligadas à imigração americana. Depois de cumprir parte da pena, ela foi novamente detida pelas autoridades por permanecer nos Estados Unidos além do prazo permitido pelo visto. Desde então, trava uma batalha para evitar a deportação para a Alemanha, país onde vive parte de sua família. Em diferentes entrevistas, Anna Sorokin afirmou que retornar à Europa significaria admitir derrota e abandonar a tentativa de reconstruir sua imagem em Nova Iorque, cidade que ela insiste considerar sua verdadeira casa.
O caso ganhou proporções ainda maiores após a Netflix adaptar sua história em uma produção estrelada por Julia Garner. A série transformou Anna Delvey (Sorokin) em personagem pop, misturando fascínio social, crítica à obsessão por riqueza, e o glamour decadente da elite norte-americana. Enquanto parte do público a vê como símbolo de ambição e manipulação, outros enxergam uma espécie de produto extremo da cultura da aparência e do status nas redes sociais. Agora, anos depois de enganar milionários, Anna Sorokin volta ao centro das atenções não por um novo golpe, mas pela possibilidade de ser obrigada a deixar definitivamente os Estados Unidos.