Banqueiro do BTG projeta cenário econômico favorável ao próximo Presidente, com espaço para queda de juros, retomada do crescimento e avanços institucionais no Brasil
Em meio às incertezas que tradicionalmente cercam períodos pré-eleitorais, o banqueiro André Esteves apresentou uma leitura rara de otimismo sobre o futuro imediato do país. Durante participação no Fórum Esfera, neste sábado, 23, o dono do BTG Pactual afirmou que o próximo Presidente encontrará um Brasil “arrumadinho”, com fundamentos mais organizados, e desafios consideravelmente mais simples do que os enfrentados em transições históricas. Ao comparar o cenário atual com os momentos vividos por Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, Esteves destacou que o país hoje conta com inflação sob controle, reservas internacionais robustas, e um sistema financeiro sólido; elementos que criam uma base mais previsível e segura para a condução da política econômica nos próximos anos.
Segundo o banqueiro, o ambiente atual permite pensar em avanços consistentes com medidas relativamente simples e bem calibradas. Ele defendeu que “três ou quatro ajustes” na trajetória de crescimento dos gastos públicos já seriam suficientes para abrir espaço para uma redução significativa da taxa de juros, hoje em patamar elevado. Na avaliação de Esteves, esse movimento poderia levar os juros para níveis entre 7% e 8%, estimulando investimentos, consumo e geração de empregos. O diagnóstico sugere que o Brasil entrou em uma fase de maior maturidade macroeconômica, na qual não são necessárias rupturas ou reformas radicais, mas sim ajustes responsáveis e continuidade de políticas que já vêm produzindo resultados positivos.
Bases sólidas e oportunidades
Apesar de reconhecer desafios fora do campo estritamente econômico, André Esteves reforçou que o país vive uma oportunidade concreta de consolidar avanços institucionais e sociais. Para ele, o chamado “Brasil institucional”; representado por regras, órgãos de controle e estabilidade jurídica, tem condições de se fortalecer ainda mais diante de pressões vindas da informalidade e do crime organizado. Ao tratar desse ponto, o banqueiro adotou um tom de alerta, mas também de confiança, ao destacar que o país dispõe hoje de instrumentos e capacidade para enfrentar essas questões sem comprometer o ambiente de negócios ou a estabilidade econômica.
O debate também reuniu nomes de peso da área econômica, como Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União. No encontro, Mercadante defendeu o fortalecimento de instituições como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central, ressaltando a importância de quadros técnicos qualificados para sustentar a credibilidade do sistema. Já Esteves reiterou a confiança na solidez do setor financeiro e destacou a capacidade de reação das instituições diante de eventuais riscos. Em um cenário de aproximação das eleições de 2026, o conjunto das falas aponta para um país que, apesar dos desafios, se apresenta mais preparado, resiliente e com horizonte favorável para o próximo ciclo político e econômico.