Gestos de desrespeito desde o primeiro gol até os acréscimos transformaram confronto em palco de confusão e críticas ao comportamento alviverde
O Maracanã viveu uma noite em que o futebol cedeu espaço à provocação, e, claro, à irritação. Ainda no primeiro tempo, aos 36 minutos, quando abriu o placar, Flaco López não se limitou a comemorar: correu até o escanteio e chutou a bandeira do Flamengo, em um gesto que já acendeu o alerta entre os rubro-negros. O episódio foi apenas o início de uma escalada de atitudes que, somadas, deram à vitória do Palmeiras por 3 a 0 um tom de confronto emocional, com traços de revanche acumulada, e pouca disposição para conter ânimos.
Após expulsão de Jorge Carrascal, aos 20 minutos do primeiro tempo, por entrada violenta em Murilo, a vitória alviverde foi construída pacientemente dentro de campo, mas acompanhada de tensão crescente fora da bola. Allan ampliou o placar aos 10 minutos do segundo tempo, consolidando a vantagem paulista, mas deixou o campo aos 35, substituído pelo reserva Paulinho. A essa altura, o ambiente já era de irritação mútua, alimentado também por um histórico recente que pesa: o Palmeiras vinha de sucessivas derrotas para o Flamengo em decisões importantes e não vencia o rubro-negro no Rio de Janeiro havia uma década — fatores que ajudam a explicar o comportamento mais exaltado, embora não o justifiquem.
Revanche e reação
Nos acréscimos, Paulinho, que carrega um histórico de revezes para o Flamengo por Vasco, Atlético Mineiro, e pelo próprio Palmeiras, resolverir à forra, e acabou transformando a vitória em um episódio lamentável. Após marcar o terceiro gol, correu em direção à torcida do Flamengo, pisou no escudo do clube no gramado, e fez o gesto de silêncio com o dedo indicador, provocando diretamente os rubro-negros. A atitude desencadeou uma confusão generalizada, com jogadores do Flamengo partindo para cima do atacante e sendo contidos por atletas do Palmeiras, seguranças, e membros das comissões técnicas. Durante o tumulto, o preparador de goleiros do Palmeiras, Rogério Godoy, empurrou o atacante do Flamengo Bruno Henrique, ampliando ainda mais o clima de tensão em campo. O empurra-empurra se espalhou pelo gramado, e o árbitro precisou intervir com cartões para conter a situação.
Depois da partida, Paulinho tentou relativizar o episódio, encenando um pedido de desculpas diante das câmeras: “Eu comemorei o gol da minha maneira, com a torcida, com meus companheiros. Às vezes rola uma provocação, sadia, não quero desrespeitar a instituição do Flamengo, jamais, uma grande instituição”, disse ao SporTV. “E ali estava comemorando com a minha família, vi eles no camarote, eles acharam que foi para a torcida. Respeito muito o Flamengo, os jogadores. É situação de jogo. E é um gol muito emocionante para mim”, completou.
O outro lado
Do lado rubro-negro, o zagueiro da seleção brasileira Léo Pereira foi direto ao ponto: “Isso mostra a imaturidade de alguns jogadores da equipe deles. A gente já venceu o Palmeiras algumas vezes, inclusive em classificatórias e finais, e a gente simplesmente comemorou, não provocamos, não tiramos bandeira, pisamos em escudo”, afirmou. “Não fizemos isso porque entendemos que do outro lado tem homens, pais de família, que trabalham e dão a vida pela família e o escudo. Era o mínimo que eles poderiam fazer também. Às vezes, a atmosfera deixa esses jogadores um pouco mais empolgados e leva eles a tomarem certas atitudes. Mas, desse lado, a gente vai sempre respeitar. É mais do que ganhar ou perder, tem que ter esse respeito entre atletas.”