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Política

PT despeja mais de meio milhão nas redes após divulgação de áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

23/05/2026 18:16 Por Redação NTD

Partido intensificou ofensiva digital após publicação das conversas de senador e ex-banqueiro sobre patrocínio de filme

O embate político em torno do caso “Dark Horse” entrou de vez nas redes sociais; e com cifras robustas. Após a divulgação dos áudios de conversas entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024, o Partido dos Trabalhadores abriu os cofres para ampliar o alcance de publicações ligadas ao episódio. Segundo dados da biblioteca de anúncios da Meta, o partido investiu cerca de R$ 514 mil em impulsionamento de conteúdo no Facebook entre os dias 13 e 20 de maio, em uma estratégia clara de ocupar o debate público digital em um momento de alta repercussão política.

Os maiores volumes de investimento foram direcionados para São Paulo e Minas Gerais, dois dos maiores colégios eleitorais do país, com gastos de R$ 97 mil e R$ 49 mil, respectivamente. No mesmo período, o Partido Liberal (PL), legenda ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teria investido cerca de R$ 13 mil em anúncios políticos na mesma plataforma. Apenas no dia em que vieram a público as negociações entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, o PT concentrou uma ofensiva expressiva, destinando aproximadamente R$ 350 mil para impulsionar conteúdos com falas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo investigações rigorosas sobre o caso.

Guerra digital

O episódio elevou a temperatura política em Brasília, e escancarou a centralidade das redes sociais como principal campo de disputa narrativa no país. A estratégia do PT foi rapidamente interpretada como uma tentativa de transformar o caso em desgaste direto para o grupo bolsonarista, tentando associar o nome de Vorcaro à imagem de seu principal nome, e mais forte concorrente de Lula à presidência. Em peças publicitárias amplamente distribuídas, o Presidente aparece defendendo responsabilização “independente de quem for”, enquanto aliados do governo reforçam o discurso de transparência e combate às supostas irregularidades.

Do outro lado, o PL reagiu com uma atuação mais discreta, mas focada em conter danos e relativizar o impacto do episódio. Integrantes do partido argumentam que investimentos privados em produções audiovisuais são comuns, e não envolvem, necessariamente, recursos públicos. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que a batalha digital tende a se intensificar nas próximas semanas, à medida que novos desdobramentos do caso surgirem. O episódio reforça um padrão já consolidado na política brasileira recente: crises não se limitam mais aos gabinetes ou tribunais; elas ganham escala e consequência real quando dominam o ambiente das redes sociais.