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Contratação de mil vigilantes para presídios acende crise política em Mato Grosso

23/05/2026 02:13 Por Redação NTD

Deputado cobra explicações do governo e alerta para risco de precarização da segurança nas unidades prisionais

A proposta de reforçar a segurança dos presídios de Mato Grosso com mais de mil vigilantes temporários transformou-se em uma nova frente de tensão política no estado. O deputado estadual Lúdio Cabral decidiu cobrar explicações formais do governo após a revelação de estudos para contratação de 1.077 vigilantes destinados ao sistema penitenciário. O movimento gerou reação imediata entre parlamentares, sindicatos e servidores da segurança pública, que passaram a questionar os impactos da medida sobre a estabilidade das unidades prisionais e o futuro da Polícia Penal no estado. 

A cobrança ganhou força depois que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou o Requerimento nº 345/2026, apresentado por Lúdio, exigindo informações detalhadas sobre o plano do Executivo. O parlamentar quer esclarecimentos sobre as funções que seriam exercidas pelos vigilantes temporários, quais áreas das penitenciárias seriam atendidas e se os contratados poderiam atuar em atividades típicas de policiais penais. A principal preocupação levantada pela oposição é que trabalhadores temporários acabem ocupando funções estratégicas dentro das unidades prisionais, o que, segundo críticos da proposta, poderia enfraquecer o controle interno e aumentar os riscos operacionais no sistema carcerário. 

Pressão sobre o governo

Nos bastidores, sindicatos ligados à Polícia Penal afirmam que a medida pode representar uma substituição gradual de servidores concursados por contratos temporários. Relatórios encaminhados ao gabinete de Lúdio Cabral apontam preocupação com possível precarização da segurança pública e questionam a legalidade de transferir determinadas atribuições a profissionais sem poder de polícia. O tema ganhou ainda mais repercussão após entidades denunciarem que o governo estaria buscando alternativas para reduzir custos e acelerar o preenchimento de vagas sem a realização imediata de novos concursos públicos. 

Diante da repercussão negativa, a Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso informou recentemente que suspendeu a análise sobre eventual contratação temporária após orientação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso. Segundo o governo, a discussão ficará paralisada até decisão judicial sobre ação movida pelo sindicato da categoria, que pede a nomeação de aprovados em concurso realizado em 2016. Mesmo assim, o episódio já ampliou a pressão política sobre o Palácio Paiaguás e reacendeu o debate sobre déficit de efetivo, segurança nos presídios e a crise estrutural do sistema penitenciário mato-grossense.