Nova medida do governo Trump muda décadas de política migratória e pode afetar milhões de estrangeiros que vivem legalmente nos Estados Unidos
O sonho americano agora pode incluir uma passagem obrigatória de volta para casa. O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira uma mudança radical nas regras de imigração: estrangeiros que estiverem no país e desejarem obter o green card terão de retornar ao país de origem para concluir o processo de solicitação da residência permanente. A decisão do governo de Donald Trump rompe uma prática adotada há décadas, que permitia a regularização migratória sem a necessidade de deixar o território americano.
Segundo o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), a nova política busca reduzir o uso de vistos temporários como porta de entrada para imigração definitiva. O porta-voz do órgão, Zach Kahler, afirmou que a medida também diminui a necessidade de localizar e deportar estrangeiros em situação irregular. A regra deve atingir estudantes, trabalhadores temporários, refugiados, asilados, e até pessoas casadas com cidadãos americanos que aguardavam a conversão do status migratório dentro do país.
Impacto imediato
Especialistas em imigração e entidades de defesa dos imigrantes reagiram com preocupação. Organizações humanitárias afirmam que a decisão pode separar famílias por tempo indeterminado, além de obrigar pessoas vulneráveis a retornar para países em crise ou sem representação consular americana funcionando normalmente. Advogados também alertam para o risco de aumento nos atrasos e na insegurança jurídica para quem já possui pedidos em andamento.
A mudança faz parte do pacote mais amplo de endurecimento das políticas migratórias implementadas pelo Presidente Trump em seu novo mandato. Nos últimos meses, o governo já havia restringido vistos de estudantes, endurecido regras para permanência temporária e ampliado ações contra imigração irregular. Ainda não está claro quando a nova exigência entrará plenamente em vigor nem se haverá exceções amplas para casos humanitários ou processos já iniciados.