Governo Trump acusa ex-líder cubano pelo abatimento de aviões em 1996, mas afirma que não pretende ampliar conflito
Quase três décadas após um dos episódios mais explosivos da relação entre Cuba e Estados Unidos, o nome de Raúl Castro voltou ao centro de uma crise internacional. O Departamento de Justiça norte-americano anunciou o indiciamento do ex-Presidente cubano, de 94 anos, por suposto envolvimento na derrubada de dois aviões civis da organização anticastrista “Irmãos ao Resgate”, em 1996, ação que matou quatro pessoas, incluindo cidadãos americanos. A medida reacendeu a tensão entre Washington e Havana, e ampliou o clima de instabilidade diplomática no continente.
Segundo as autoridades dos Estados Unidos, Raúl Castro responderá por acusações como conspiração para matar cidadãos americanos, homicídio e destruição de aeronaves. O anúncio foi feito em Miami pelo procurador Todd Blanche, que afirmou existir um mandado de prisão contra o ex-líder cubano. Apesar da gravidade da medida, o presidente Donald Trump declarou que “não haverá escalada”, argumentando que Cuba já enfrenta um cenário interno de forte deterioração econômica e social, marcado por apagões, escassez de alimentos e crise energética.
Havana reage
O governo cubano reagiu imediatamente ao indiciamento e classificou a ação como uma manobra política sem base jurídica. O Presidente Miguel Díaz-Canel acusou Washington de tentar justificar novas agressões contra a ilha socialista e afirmou que os EUA ignoram denúncias feitas por Cuba sobre violações do espaço aéreo cubano realizadas pela organização “Irmãos ao Resgate” nos anos 1990. O episódio amplia ainda mais o desgaste diplomático entre os dois países em meio ao endurecimento da política externa da Casa Branca para a América Latina.
Raúl Castro governou Cuba entre 2008 e 2018, sucedendo seu irmão, Fidel Castro, e permaneceu como uma das figuras mais influentes do regime cubano mesmo após deixar oficialmente o poder. O indiciamento representa um gesto simbólico e político de enorme impacto internacional, especialmente por atingir um dos principais nomes históricos da Revolução Cubana. Analistas avaliam que, embora Trump tente afastar a possibilidade de confronto militar direto, a decisão deve aprofundar a tensão regional e reforçar o isolamento diplomático de Havana nos próximos meses.