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“Dos ricos para os pobres”: Couto corta altos cargos, economiza recursos e destrava recomposição de servidores no Rio

21/05/2026 12:07 Por Redação NTD

Após exonerar nomes do alto escalão, governador em exercício economiza verba para quitar parcelas salariais atrasadas

Depois de semanas de pressão do funcionalismo, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, adotou uma medida que mistura ajuste administrativo e gesto político: reduziu gastos com cargos de alto escalão e, com isso, abriu espaço no orçamento para destravar a recomposição salarial atrasada dos servidores estaduais. A decisão foi recebida como uma resposta direta às cobranças de categorias que há anos reivindicam o pagamento integral das parcelas aprovadas ainda em 2021 e que permaneciam pendentes. Nos bastidores, a medida é descrita como tática Robin Hood, fazendo uma redistribuição de recursos, tirando de estruturas mais onerosas da máquina pública para atender demandas do funcionalismo.

Segundo o governo, serão quitadas as duas parcelas restantes da recomposição salarial, equivalentes a 11,5%, beneficiando servidores ativos, aposentados, e pensionistas. Os pagamentos devem ocorrer no segundo semestre, com depósitos previstos para agosto e novembro. A recomposição havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, mas não foi integralmente executada na gestão anterior, sob justificativa de restrições fiscais. Agora, a equipe de Couto sustenta que o enxugamento de despesas administrativas, incluindo exonerações em cargos estratégicos, permitiu reorganizar as contas e priorizar o pagamento dos servidores.

Aceno político ao funcionalismo

O anúncio reforça a estratégia de aproximação de Ricardo Couto com o funcionalismo desde que assumiu interinamente o comando do estado. Nas últimas semanas, ele também autorizou a antecipação da primeira parcela do décimo-terceiro salário e abriu canais de diálogo com representantes de categorias como educação, saúde e segurança pública. A leitura dentro do governo é de que essas ações ajudam a reduzir tensões, e a reconstruir a relação com servidores, que vinham intensificando mobilizações e críticas à condução fiscal anterior.

A decisão ocorre em meio a um cenário político ainda instável no Rio de Janeiro, marcado por incertezas sobre a continuidade da atual gestão. Nesse contexto, Couto tenta consolidar uma imagem de gestor pragmático, capaz de tomar decisões rápidas e com impacto direto na vida de milhares de trabalhadores do setor público. O pagamento da recomposição atrasada, viabilizado após cortes no topo da estrutura administrativa, passa a ser visto como um dos principais movimentos de sua breve passagem pelo Palácio Guanabara.