Nova rodada de cortes atingiu dezenas de cargos da administração estadual e ampliou reestruturação promovida pelo governo interino do Rio
O Palácio Guanabara amanheceu mais uma vez sob o som das exonerações. Em apenas um dia, o governo interino de Ricardo Couto oficializou a saída de 91 servidores da administração estadual, ampliando para 297 o número de baixas registradas somente nesta semana. A sequência de cortes, publicada no Diário Oficial do Estado, consolidou uma espécie de “faxina administrativa” conduzida pela Casa Civil fluminense em meio à reorganização política e estrutural do governo do Rio.
Os decretos foram assinados pelo secretário estadual da Casa Civil, Flávio Willeman, e atingiram diferentes setores da máquina pública, com concentração significativa dentro da própria secretaria. Somente na Casa Civil, 59 servidores foram exonerados nesta quarta-feira, 20, principalmente em cargos operacionais e assistenciais. O pacote também incluiu mudanças no Detran-RJ, que registrou 18 exonerações e quatro nomeações. Apesar do volume de dispensas, o governo manteve cargos considerados estratégicos e promoveu substituições em áreas de assessoramento e coordenação.
Reestruturação em ritmo acelerado
Desde que assumiu o comando do estado de forma interina, Ricardo Couto vem promovendo uma ampla revisão da estrutura administrativa fluminense. Nas últimas semanas, o governo extinguiu subsecretarias, reorganizou departamentos internos e intensificou cortes em cargos comissionados. Reportagens recentes apontam que as exonerações já ultrapassaram centenas de desligamentos desde março, atingindo órgãos como Detran, Detro, Rioprevidência, Proderj e secretarias estratégicas da gestão estadual.
Nos bastidores políticos, a série de exonerações é interpretada tanto como uma tentativa de enxugamento da máquina pública quanto como parte de uma disputa por espaço e influência dentro do governo fluminense. A gestão interina tenta reforçar o discurso de austeridade administrativa enquanto reorganiza áreas consideradas inchadas ou politicamente aparelhadas. Ao mesmo tempo, aliados e adversários acompanham o avanço das mudanças como um possível redesenho de forças para a corrida eleitoral de 2026, num cenário em que cada cargo estratégico passou a ter peso político relevante dentro do estado.