Rede supermercadista reduziu quase 15% do quadro de funcionários em seis estados
As gôndolas seguem cheias, os caixas continuam funcionando e os supermercados permanecem movimentados, mas os bastidores do setor varejista contam uma história menos otimista e mais complexa. O Grupo Mateus, uma das maiores redes supermercadistas do país e protagonista na expansão do atacarejo no Nordeste, promoveu uma demissão em massa que atingiu mais de 6,6 mil funcionários em seis estados brasileiros. O movimento surpreendeu pelo volume expressivo de cortes em um curto intervalo de tempo e pelo impacto direto em regiões onde a empresa tem forte presença econômica e social, levantando questionamentos sobre os rumos do setor.
De acordo com dados divulgados nos balanços financeiros da companhia, os cortes ocorreram entre o fim de 2025, e o primeiro trimestre de 2026, reduzindo o quadro de colaboradores de cerca de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores, uma retração próxima de 14% da força de trabalho. Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe, e Bahia estão entre os estados mais afetados pela medida, com desligamentos distribuídos entre lojas, centros de distribuição e operações administrativas. A empresa atribuiu as demissões a ajustes operacionais, revisão de estruturas internas, e à necessidade de reequilibrar custos diante de um ambiente cada vez mais competitivo no segmento de atacarejo, onde margens são pressionadas e eficiência se torna determinante.
Lucro X cortes
Apesar da forte redução no número de funcionários e do fechamento de unidades consideradas menos rentáveis, o Grupo Mateus segue apresentando resultados financeiros robustos e consistentes. A companhia informou receita bruta de aproximadamente R$ 43,5 bilhões em 2025, mantendo trajetória de crescimento mesmo em um cenário econômico desafiador. Nos primeiros balanços de 2026, o lucro já ultrapassa a marca de R$ 2 bilhões, o que reforça a leitura de que os cortes fazem parte de uma estratégia mais ampla de reorganização operacional, com foco em ganho de produtividade, otimização logística e melhoria de margens, e não necessariamente de retração do negócio.
O caso reacende o debate sobre os rumos do varejo brasileiro em um contexto de juros elevados, consumo mais cauteloso, e transformação nos hábitos dos consumidores. Especialistas apontam que grandes redes vêm intensificando processos de automação, digitalização de operações e revisão de portfólio de lojas, priorizando unidades mais eficientes e rentáveis. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os efeitos sociais dessas decisões, especialmente em regiões onde grandes empregadores exercem papel relevante na geração de renda. Nesse cenário, o movimento do Grupo Mateus passa a ser visto como um indicativo de uma mudança estrutural no setor, em que crescimento e corte de custos caminham lado a lado.