Relatório da Zurich Insurance Group revela impacto sobre produtividade, renda e mercado de trabalho
Muito antes de aparecer nos balanços públicos ou nas estatísticas hospitalares, a saúde mental já vem cobrando um preço silencioso (e bilionário) das economias. Um novo estudo global da Zurich Insurance Group mostra que transtornos mentais estão afetando diretamente a produtividade, a renda, e a participação no mercado de trabalho, consolidando-se como um dos desafios estruturais mais relevantes da atualidade. De acordo com o relatório “O Valor da Saúde Mental”, em alguns países, até um em cada três adultos em idade ativa poderá conviver com problemas de saúde mental até 2030.
O impacto econômico pode chegar a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado principalmente por perdas de produtividade, afastamentos prolongados e dificuldade de reinserção profissional. O levantamento analisou dados de seis países: Austrália, Chile, Alemanha, Malásia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido; e identificou que os custos recaem mais sobre indivíduos, famílias e empregadores do que sobre os sistemas formais de saúde. Segundo o estudo, pessoas com transtornos mentais perdem entre 60 e 67 dias de vida saudável por ano, enquanto empresas enfrentam impactos diretos com a saída de trabalhadores e a redução da força produtiva.
Impacto além dos sistemas de saúde
Para Alison Martin, CEO de Life, Health and Bank Distribution da Zurich, o cenário exige resposta coordenada: “Cerca de um terço dos colaboradores que recebem apoio precoce conseguem permanecer no trabalho, em vez de abandonar o mercado definitivamente”, afirma. No Brasil, o quadro ganha contornos ainda mais urgentes. O país registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da última década, ao mesmo tempo em que se prepara para a entrada em vigor da nova redação da NR-1, em maio de 2026, que exigirá a inclusão de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas. Para Ana Puga, o avanço reflete uma combinação de maior conscientização e baixa maturidade estrutural das organizações: “Saúde mental não é apenas uma questão individual, mas também resultado da forma como o trabalho é organizado”, destaca.
A pesquisa também aponta que mudanças estruturais, como automação e inteligência artificial, tendem a intensificar o problema ao elevar exigências de adaptação profissional. Nesse contexto, empresas como a Zurich Seguros têm ampliado iniciativas voltadas à prevenção, ao desenvolvimento de lideranças e à criação de ambientes psicologicamente seguros. Segundo Mônica Matias, a abordagem precisa ir além do suporte pontual: “A saúde mental deve estar conectada à cultura organizacional e às relações de trabalho”. A conclusão do relatório é direta: o tema deixou de ser apenas uma questão de saúde e passou a ocupar papel estratégico para empresas, governos e sociedade.