Empresário colombiano Alex Saab, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção, volta ao centro da crise política venezuelana
O homem que durante anos foi tratado como peça central do chavismo agora embarca rumo aos tribunais norte-americanos. A Venezuela extraditou neste domingo, 17, o empresário colombiano Alex Saab para os Estados Unidos, em uma reviravolta política que expõe fissuras internas no antigo círculo de poder de Nicolás Maduro. Acusado de lavagem de dinheiro, fraude, e corrupção internacional, Saab era considerado um dos principais operadores financeiros do regime venezuelano e chegou a ocupar cargo ministerial no governo chavista.
Segundo autoridades norte-americanas, Saab teria movimentado centenas de milhões de dólares em contratos suspeitos envolvendo programas sociais da Venezuela, incluindo esquemas ligados à importação de alimentos e obras habitacionais. Os Estados Unidos afirmam que o empresário utilizava empresas de fachada e contas internacionais para desviar recursos públicos venezuelanos. Preso inicialmente em Cabo Verde em 2020, ele foi extraditado para os EUA em 2021, mas acabou libertado em 2023 durante uma troca de prisioneiros negociada entre Washington e Caracas.
Reviravolta política
A nova extradição ocorre meses após a queda política de Maduro e em meio à reorganização do poder venezuelano sob comando interino de Delcy Rodríguez. De acordo com agências internacionais, Saab havia sido detido novamente em fevereiro deste ano durante uma operação conjunta envolvendo autoridades venezuelanas e americanas. A deportação é interpretada como um gesto de aproximação diplomática entre Caracas e Washington, além de representar um possível avanço nas investigações conduzidas pela Justiça dos Estados Unidos contra antigos integrantes do chavismo.
Nos bastidores, investigadores acreditam que Saab pode fornecer informações estratégicas sobre movimentações financeiras internacionais do antigo governo venezuelano e sobre operadores ligados ao chamado “Cartel dos Sóis”, organização acusada pelos EUA de envolvimento com narcotráfico e lavagem de dinheiro. O empresário sempre negou irregularidades, e alegava atuar como representante diplomático da Venezuela. Ainda assim, sua extradição é vista como um dos episódios mais simbólicos do desmonte político do grupo que cercava Maduro.