Nova estrutura dentro do Ministério de Minas e Energia mira expansão da recarga, indústria nacional e avanço da mobilidade elétrica no país
O carro elétrico deixou de ser apenas tendência de montadora para virar assunto de Estado em Brasília. O governo federal criou uma área específica voltada à mobilidade elétrica dentro do Ministério de Minas e Energia (MME), em um movimento que sinaliza a intenção de acelerar a transição energética no setor automotivo brasileiro. A nova estrutura será responsável por discutir políticas públicas ligadas à expansão dos veículos elétricos, infraestrutura de recarga e integração da eletrificação com o sistema energético nacional.
A criação do departamento acontece em meio ao crescimento acelerado do mercado de eletrificados no país. Dados recentes mostram que os veículos elétricos e híbridos já representam uma fatia cada vez maior das vendas nacionais, impulsionados principalmente pela chegada de marcas chinesas, redução gradual de preços e ampliação da oferta de modelos. Em abril, os eletrificados alcançaram 17,7% dos emplacamentos de veículos leves no Brasil, consolidando um novo patamar para o setor.
Corrida pela eletrificação
Nos bastidores do setor automotivo, a criação da nova área é vista como uma tentativa do governo de organizar políticas de longo prazo para um mercado que cresce mais rápido do que a própria infraestrutura disponível. Entre os principais desafios estão a ampliação da rede nacional de recarga, incentivos à produção local de baterias e veículos elétricos e a definição de regras para integração energética. Atualmente, o Brasil já vive uma expansão relevante da mobilidade elétrica, com expectativa de superar a marca de 1 milhão de veículos eletrificados entre 2026 e 2027.
O avanço também reflete uma mudança no perfil do consumidor brasileiro. Modelos como o BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e Chevrolet Spark EUV ajudaram a popularizar os elétricos em faixas de preço mais acessíveis, enquanto montadoras tradicionais aceleram projetos nacionais e novas fábricas voltadas à eletrificação. A avaliação de especialistas é que a entrada mais direta do governo no tema pode ajudar o Brasil a não perder espaço na corrida global por tecnologia, indústria verde e infraestrutura energética ligada ao futuro da mobilidade.