Com termômetros em queda e pistas molhadas, capital paulista alcança 1.348 quilômetros de lentidão e transforma a sexta-feira em teste de paciência para motoristas
A cidade que nunca para resolveu andar em câmera lenta. Sob chuva persistente, temperaturas baixas e uma rotina urbana já pressionada, São Paulo viveu nesta sexta-feira um daqueles dias em que o relógio parece perder a utilidade dentro dos carros. A combinação entre frente fria, excesso de veículos e vias saturadas levou a capital paulista a registrar 1.348 quilômetros de congestionamento, o pior índice do ano, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
O cenário de caos tomou conta das principais marginais, avenidas e corredores da cidade desde o início da manhã, afetando também o transporte público e aumentando o tempo de deslocamento em praticamente todas as regiões da capital. A chuva intensa reduziu a visibilidade dos motoristas e agravou pontos de alagamento, enquanto o frio contribuiu para uma circulação ainda mais lenta. O novo recorde supera marcas anteriores registradas ao longo do ano em dias também afetados por fortes temporais.
Cidade em colapso
O congestionamento desta sexta reforça um problema histórico da mobilidade paulistana, especialmente em períodos de instabilidade climática. Especialistas apontam que a combinação entre urbanização acelerada, excesso de automóveis e infraestrutura insuficiente transforma episódios de chuva em verdadeiros gatilhos para paralisações em massa no trânsito. Em anos recentes, a capital passou a registrar com mais frequência eventos extremos que impactam diretamente a circulação urbana.
Mesmo acostumada a conviver com longas filas de veículos, São Paulo voltou a expor sua vulnerabilidade diante das mudanças bruscas no clima e do aumento constante da demanda viária. O recorde desta sexta-feira reacende o debate sobre investimentos em transporte público, drenagem urbana e planejamento de mobilidade em uma metrópole que, nos dias de chuva, parece parar junto com o trânsito.