Autoridade monetária avalia que problema está concentrado no banco estatal, mas teme impactos sobre contas públicas
A crise envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master acendeu um alerta em Brasília, mas sem provocar temor de colapso no sistema bancário nacional. Segundo avaliação técnica do Banco Central do Brasil, o problema não representa risco sistêmico para o mercado financeiro brasileiro, já que os grandes bancos do país seguem sólidos e sem exposição relevante ao caso. Ainda assim, o BC considera que uma eventual quebra do BRB poderia gerar consequências severas para a economia do Distrito Federal, onde a instituição desempenha papel estratégico no pagamento de servidores, no crédito local e no financiamento de pequenos negócios.
O temor das autoridades está ligado ao tamanho do prejuízo potencial associado às operações investigadas entre o BRB e o Banco Master. Especialistas estimam que o banco público possa ter acumulado perdas bilionárias após adquirir carteiras de crédito consideradas sem valor real pelas investigações. O rombo pode chegar a R$ 8 bilhões, valor que exigiria uma forte capitalização por parte do Governo do Distrito Federal para evitar o agravamento da crise. Técnicos do mercado avaliam que, sem um socorro financeiro robusto, o BRB corre risco de insolvência nos próximos meses.
Corrida contra o tempo
Diante da pressão financeira, o BRB e o GDF tentam construir alternativas para recompor o caixa da instituição antes do prazo considerado decisivo pelo mercado, marcado para o fim de maio. Entre as soluções analisadas estão operações de securitização da dívida ativa do DF, empréstimos com o Fundo Garantidor de Crédito e até o uso de ativos imobiliários do governo local. Especialistas alertam, porém, que algumas dessas medidas enfrentam obstáculos jurídicos e podem acabar judicializadas, ampliando a insegurança em torno do caso.
A crise também provocou efeitos internos no banco e aumentou a apreensão entre funcionários e clientes. Relatos apontam crescimento da tensão nas agências após a deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras e levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Muitos correntistas passaram a procurar informações sobre a segurança de suas aplicações, enquanto servidores do banco relatam clima de insegurança e pressão constante diante das incertezas sobre o futuro da instituição. Apesar disso, o Banco Central mantém o entendimento de que o caso permanece isolado, e não deve contaminar o restante do sistema financeiro brasileiro.