Alta no movimento pode elevar faturamento em até 30%, enquanto consumidor ganha mais opções e experiências durante os jogos
Quando a bola rola, não é só dentro de campo que a disputa acontece. Do lado de fora, bares e restaurantes travam uma competição silenciosa e intensa pela preferência do torcedor/consumidor. Afinal, assistir aos jogos da Copa fora de casa já virou parte do ritual para milhões de brasileiros, transformando cada partida em uma experiência coletiva que mistura futebol, comida e celebração.
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes mostram que, na Copa de 2022, o setor de alimentação fora do lar registrou aumento médio de até 30% no faturamento em dias de jogos do Brasil, com estabelecimentos chegando a dobrar a receita em partidas decisivas. Segundo o especialista em foodservice Marcelo Marani, o resultado, porém, não é automático. “O que define quem ganha dinheiro não é o evento, mas a forma como o negócio está estruturado”, afirma. A preferência do público por assistir às partidas em grupo, apontada por levantamentos da NielsenIQ, impulsiona bares e restaurantes, aumentando o tempo de permanência e o consumo, especialmente de bebidas e porções compartilhadas.
Experiência define o jogo
Nesse cenário, ganha quem entrega mais do que a transmissão: ambiente organizado, bom atendimento, som de qualidade e visibilidade dos telões se tornaram fatores decisivos para atrair e fidelizar clientes. Para o consumidor, a concorrência entre os estabelecimentos joga a favor. Promoções, combos e experiências diferenciadas ampliam as opções e podem garantir melhor custo-benefício — desde que a escolha seja feita com critério. Nem sempre o lugar mais cheio oferece a melhor experiência, e avaliar conforto, cardápio e proposta do ambiente pode evitar frustrações durante o jogo.
Do lado dos empresários, o desafio é transformar movimento em lucro. Isso passa por planejamento de estoque, cardápios mais enxutos, equipes bem dimensionadas e estratégias de preço que preservem a margem. Sem organização, o aumento de público pode gerar o efeito contrário: sobrecarga, atrasos e perda de rentabilidade.Mais do que um período de vendas aquecidas, a Copa funciona como um teste de maturidade para o setor. Quem se prepara colhe não só o faturamento imediato, mas também a fidelização de clientes. Quem improvisa, corre o risco de ver a oportunidade passar; mesmo com a casa cheia.