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Bem-estar & Saúde

Anvisa adia decisão sobre produtos da Ypê após detectar mais de 70 irregularidades em fábrica

14/05/2026 01:35 Por Redação NTD

Agência mantém alerta aos consumidores enquanto empresa tenta reverter suspensão de detergentes, desinfetantes e lava-roupas 

A crise envolvendo a Ypê ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu adiar a análise do recurso apresentado pela fabricante contra a suspensão de diversos produtos da marca. A reunião da diretoria colegiada da Anvisa, que definiria se a proibição seria mantida ou derrubada, acabou remarcada para sexta-feira, 15, ampliando a tensão em torno de um dos casos sanitários mais delicados do setor de limpeza doméstica nos últimos anos. 

Durante a reunião, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, confirmou que inspeções realizadas na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo, identificaram 76 irregularidades consideradas graves. Segundo a agência, foram encontrados problemas nos sistemas de controle de qualidade, falhas estruturais no processo produtivo e a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados. A bactéria é resistente a antibióticos e pode representar riscos especialmente para pessoas imunocomprometidas. 

Risco sanitário

A Anvisa reforçou que permanece a orientação para que consumidores não utilizem produtos da marca com lotes terminados em número 1, incluindo detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes. A medida de suspensão havia sido determinada na última semana após inspeção conjunta com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo, mas os efeitos da decisão foram temporariamente suspensos depois que a empresa apresentou recurso administrativo. Mesmo assim, a própria Ypê informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção afetadas enquanto tenta concluir ajustes exigidos pela fiscalização. 

Em resposta à crise, representantes da empresa estiveram reunidos com a Anvisa em Brasília para apresentar um plano de adequação que inclui 239 ações corretivas. A fabricante afirma colaborar integralmente com as autoridades sanitárias e sustenta que vem realizando análises microbiológicas e revisões técnicas em seus processos industriais. A agência, porém, indicou que ainda aguarda novos documentos e laudos antes de decidir se mantém ou revoga as restrições impostas aos produtos.