Murilo Hidalgo afirma que rejeição e avanço do eleitorado evangélico podem ser decisivos nas eleições de 2026
A pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais de 2026, os bastidores da corrida ao Palácio do Planalto já começaram a ganhar contornos mais nítidos; e cada vez mais polarizados. Em um fórum em Nova Iorque, nesta terça-feira, 12, o diretor do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou que, se a eleição fosse hoje, apostaria em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro sobre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação, feita com base na leitura de tendências recentes do eleitorado, reforça a percepção de que o país pode caminhar para mais um capítulo da disputa entre campos políticos já consolidados. Em um cenário ainda em formação, declarações como essa ajudam a balizar expectativas e movimentam estratégias nos bastidores de partidos e alianças.
Segundo Hidalgo, o principal fator da eleição não será apenas a fotografia das intenções de voto em determinado momento, mas, sobretudo, o índice de rejeição dos candidatos; indicador que tende a ganhar ainda mais relevância em disputas polarizadas. O diretor do Paraná Pesquisas também destacou o crescimento contínuo do eleitorado evangélico no Brasil, segmento que, de acordo com ele, mantém inclinação majoritária à direita e deve exercer influência decisiva no resultado das urnas. Além disso, ele aponta que temas ligados a costumes, economia e segurança pública tendem a mobilizar esse público. Ainda assim, o pesquisador ressalta que o cenário permanece aberto, e pode sofrer alterações significativas conforme evoluam indicadores econômicos, decisões de governo e a própria dinâmica das campanhas.
Polarização mantida
Pesquisas recentes mostram um cenário extremamente apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro, evidenciando um ambiente de forte divisão do eleitorado. Levantamento da Quaest divulgado nesta semana aponta o petista numericamente à frente em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto contra 41% do senador do PL; diferença que configura empate técnico dentro da margem de erro. Outros institutos também vêm registrando o avanço de Flávio Bolsonaro em simulações nacionais, indicando sua consolidação como principal nome do campo conservador. Apesar da leve vantagem de Lula em alguns cenários, há uma tendência de equilíbrio que pode se manter até a reta final, dependendo de fatores conjunturais e do desempenho dos candidatos ao longo da campanha.
Enquanto aliados de Lula apostam na recuperação econômica, na ampliação de programas sociais, e na força da máquina pública para sustentar um projeto de reeleição, o entorno de Flávio Bolsonaro trabalha para ampliar sua penetração junto ao eleitorado moderado e reduzir resistências associadas ao sobrenome Bolsonaro. A estratégia inclui sinalizações mais amplas no campo econômico e tentativas de diálogo com setores que não tradicionalmente orbitam a direita. Nos bastidores, especialistas avaliam que o comportamento dos eleitores indecisos e independentes, bem como o ambiente econômico do país nos meses que antecedem a eleição, serão determinantes para definir quem chegará com vantagem à fase decisiva da disputa presidencial.