Governo elimina cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 após desgaste popular
Depois de meses de críticas e perda de popularidade em torno da medida, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu revogar o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50; uma cobrança criada pelo próprio governo em 2024. O fim da chamada “taxa das blusinhas” será formalizado por medida provisória e passa a valer imediatamente, em um movimento interpretado nos bastidores de Brasília como uma clara tentativa de reduzir desgaste político às vésperas das eleições presidencial e recuperar apoio entre consumidores, especialmente nas redes sociais.
A taxação havia sido implementada dentro do programa Remessa Conforme, com o argumento de combater irregularidades e equilibrar a concorrência entre plataformas estrangeiras e o varejo nacional. No entanto, a cobrança de 20% rapidamente se tornou alvo de críticas, principalmente entre consumidores que utilizam sites internacionais como Shein, Shopee, e AliExpress. Mesmo com o fim do imposto federal, o ICMS estadual continuará incidindo sobre esse tipo de compra, o que mantém parte da carga tributária.
Pressão política e recuo estratégico
A decisão expôs divisões dentro do próprio governo. Enquanto a equipe econômica defendia a manutenção da taxação como forma de garantir arrecadação e proteger empresas brasileiras, a ala política avaliou que o custo eleitoral da medida se tornou alto demais. Representantes da indústria e do comércio reagiram negativamente ao recuo, alegando que a retirada do imposto pode ampliar a concorrência desigual com produtos importados e impactar empregos no setor. Ainda assim, prevaleceu a leitura de que o desgaste junto à opinião pública exigia uma resposta rápida.
O recuo também se encaixa em uma estratégia mais ampla do governo de adotar medidas com apelo popular em um cenário pré-eleitoral. Nas últimas semanas, o Planalto já vinha sinalizando iniciativas voltadas ao consumo e ao alívio financeiro da população. Agora, com o fim da “taxa das blusinhas”, o governo tenta virar a página de um dos temas mais impopulares de sua agenda recente; mesmo que isso signifique desmontar uma política criada pela própria gestão e reabrir o debate entre estímulo ao consumo e proteção da economia nacional.