Deputado do PT é acusado de quebra de decoro após agressão em estacionamento de Curitiba; aliados alegam perseguição
O clima foi de tensão, discursos duros e corredores fervendo nos bastidores da política paranaense. Em mais um capítulo de uma trajetória marcada por confrontos públicos e forte polarização, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou o parecer favorável à cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas. A decisão ocorre após denúncias relacionadas a uma briga envolvendo um manobrista em um estacionamento de Curitiba e agora segue para votação definitiva no plenário da Casa. O episódio mobilizou apoiadores, movimentos sociais, e parlamentares de diferentes correntes ideológicas, transformando a sessão em um novo palco da disputa política que cerca o nome do petista desde sua chegada à vida pública.
A representação apresentada contra Renato Freitas sustenta que o parlamentar teria cometido quebra de decoro ao provocar a confusão. Integrantes do Conselho entenderam que houve conduta incompatível com o cargo de deputado estadual, enquanto a defesa argumenta que o processo possui motivações políticas e desproporcionais. Durante a sessão, deputados aliados afirmaram que o parlamentar sofre perseguição por ser negro e por suas pautas ligadas aos direitos humanos, combate ao racismo e denúncias de violência policial. Já parlamentares favoráveis à punição disseram que a discussão extrapolou os limites esperados de um representante eleito, e defenderam que a Assembleia dê uma resposta institucional ao caso.
Embate político permanente
Não é a primeira vez que Renato Freitas se vê no centro de um processo disciplinar com forte repercussão nacional. Em 2022, quando ainda era vereador em Curitiba, ele teve o mandato cassado após invadir uma igreja durante manifestações contra o assassinato do congolês Moïse Kabagambe, no Rio de Janeiro. A decisão acabou revertida pelo Supremo Tribunal Federal, que apontou irregularidades no processo e destacou elementos relacionados à liberdade de expressão e ao racismo estrutural. Desde então, o deputado passou a ser visto por aliados como símbolo de resistência política, enquanto adversários o classificam como um parlamentar frequentemente envolvido em episódios de confronto e tensão institucional.
Com a aprovação do parecer pelo Conselho de Ética, a expectativa agora se volta para o plenário da Alep, onde os deputados estaduais decidirão se mantêm ou não o mandato de Renato Freitas. A votação promete aprofundar ainda mais a divisão política dentro da Assembleia, e deve provocar novas mobilizações de movimentos sociais, sindicatos, lideranças partidárias e grupos conservadores. Nos bastidores, o caso já é tratado como uma das decisões mais delicadas da atual legislatura paranaense, com potencial para gerar repercussões jurídicas e políticas que ultrapassam as fronteiras do estado, e alcançam o debate nacional sobre representação política, liberdade de atuação parlamentar, e limites do decoro institucional.