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Política

Após derrota de Messias, cresce pressão para Lula indicar mulher negra ao STF

12/05/2026 12:47 Por Redação NTD

Movimentos sociais, aliados do governo e setores do PT defendem escolha para o STF após revés de Lula no Senado

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado provocou uma forte reviravolta política em Brasília e reacendeu uma cobrança que acompanha o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva desde o início: a indicação da primeira mulher negra da história do STF. Depois da derrota sofrida pelo governo, movimentos sociais, juristas, parlamentares aliados, e integrantes do próprio PT passaram a intensificar a pressão sobre o Palácio do Planalto para que Lula transforme a próxima vaga na Corte em um gesto político de grande impacto simbólico — e eleitoral, por parte dos petistas. Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que a escolha ganhou ainda mais peso depois da fragilidade demonstrada pelo governo na articulação da indicação anterior.

Dentro do Partido dos Trabalhadores, parte da corrente ligada à ala mais progressista acredita que uma indicação desse perfil poderia produzir reflexos positivos também no cenário eleitoral de outubro. A leitura é de que Lula teria a oportunidade de reforçar sua conexão com setores do eleitorado negro, feminino, e de movimentos sociais historicamente próximos ao campo da esquerda. Uma das maiores entusiastas dessa estratégia é a deputada federal Gleisi Hoffmann, que vem defendendo internamente a necessidade de uma escolha que una representatividade, apelo político e força institucional. No topo de uma lista de nomes sugeridos por Gleisi está a juíza federal Adriana Cruz, do Conselho Nacional de Justiça. Mulher negra, Adriana é reconhecida pela defesa da diversidade no Judiciário, credencial que dialoga diretamente com a demanda política vivido pelo governo.

Pressão renovada

Entidades do movimento negro, organizações ligadas aos direitos humanos, e grupos feministas voltaram a se manifestar publicamente após a derrota de Messias. A principal reivindicação é que o Supremo passe a refletir de maneira mais ampla a composição racial e social do país. Em mais de 130 anos de existência da Corte, nenhuma mulher negra ocupou uma cadeira no STF; um dado frequentemente citado pelos movimentos como símbolo da desigualdade estrutural ainda presente nas instituições brasileiras. Até hoje, apenas três mulheres chegaram ao tribunal: Ellen Gracie, Cármen Lúcia, e Rosa Weber. Para os defensores da proposta, a próxima indicação presidencial representaria uma oportunidade histórica de mudança e de fortalecimento da imagem do governo junto a setores estratégicos da sociedade.

Além de Adriana Cruz, outros nomes continuam circulando em Brasília, como os das juristas Edilene Lobo, Daniela Teixeira e Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha, todas vistas como quadros respeitados no meio jurídico. Apesar da pressão crescente, interlocutores do governo afirmam que Lula ainda evita tratar publicamente da sucessão no Supremo, e prefere conduzir a discussão com cautela após o desgaste provocado pela rejeição de Jorge Messias. Mesmo assim, o episódio abriu uma nova frente de disputa dentro da política nacional, misturando articulação institucional, simbolismo social e estratégia eleitoral. Em Brasília, a sucessão no STF deixou de ser apenas uma escolha jurídica, e passou a ocupar o centro do tabuleiro político de 2026.