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Gastronomia e Turismo

Turismo prateado cresce no Brasil, mas setor ainda falha com público 60+

11/05/2026 17:43 Por Redação NTD

Pesquisa inédita revela que viajantes maduros não se sentem contemplados pelo mercado turístico

O Brasil está ficando mais velho — e também mais viajado. Com tempo, renda, e disposição para explorar destinos dentro e fora do país, os brasileiros acima dos 60 anos transformaram o turismo em prioridade. Mas, enquanto o chamado “mercado prateado” movimenta bilhões e ganha peso na economia, hotéis, companhias, e serviços ainda parecem não ter percebido o tamanho dessa revolução silenciosa. Pesquisa inédita “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60”, realizada pela consultoria data8 em parceria com o Expo Fórum de Turismo 60+ e apoiada pelo Ministério do Turismo, mostra que 74% dos entrevistados afirmam não sentir que as viagens são pensadas para sua faixa etária.

O levantamento ouviu 1.012 brasileiros com mais de 60 anos entre março e abril de 2026 e identificou um público altamente ativo no consumo turístico. Segundo o estudo, 34% gastam ao menos R$ 10 mil por ano com viagens, e 52% realizam três ou mais viagens anuais. A autonomia financeira também chama atenção: 96% afirmam custear integralmente ou dividir as despesas das viagens com o cônjuge, enquanto o parcelamento no cartão de crédito aparece como principal forma de pagamento para 73% dos entrevistados. A digitalização também já faz parte da rotina dos viajantes maduros: 70% organizam as viagens on-line, e 25% já utilizam ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, no planejamento dos roteiros.

Mercado em transformação

As viagens seguem acontecendo, em sua maioria, acompanhadas. Entre os entrevistados, 56% viajam com os parceiros, embora o estudo revele nuances importantes entre gênero e idade. Entre as mulheres maduras, há maior diversidade nas formas de viajar: 17% viajam sozinhas, 23% com amigos, e 31% ao lado de filhos ou netos. Já entre os brasileiros acima dos 70 anos, quase um em cada cinco afirma viajar sozinho. Praia lidera entre os destinos preferidos, escolhida por 72% dos participantes, seguida por cidades históricas, e destinos de campo e montanha. Ainda assim, o setor acumula críticas: 26% relatam já ter enfrentado despreparo ou falta de paciência de equipes de atendimento, enquanto 32% apontam dificuldades em processos excessivamente automatizados, como totens e check-ins digitais sem suporte humano.

Diante desse cenário, a pesquisa também serviu de base para a criação do Selo Destino 60+, uma certificação voltada a reconhecer empreendimentos preparados para atender o público maduro com qualidade, acessibilidade e acolhimento. O selo avaliará critérios ligados à hospitalidade, mobilidade, entretenimento, nutrição, e bem-estar, além de experiências adaptadas às necessidades desse perfil de consumidor. “O envelhecimento da população não é uma tendência futura; é uma realidade já instalada”, afirma Adriana de Queiroz, sócia do data8 e coordenadora da pesquisa. A expectativa é que o avanço da longevidade transforme o turismo prateado em uma das principais fronteiras de crescimento do setor nas próximas décadas, impulsionado por uma população que já representa 61 milhões de brasileiros e movimenta R$ 1,8 trilhão em consumo no país.