Negócio milionário para reforçar operações policiais foi suspenso após desconfiança sobre a procedência do helicóptero militar
Um helicóptero de guerra avaliado em mais de R$ 61 milhões, anunciado como reforço de peso para a segurança pública do Rio de Janeiro, acabou se transformando em alvo de suspeitas, questionamentos técnicos e dúvidas sobre a transparência da negociação. O governo estadual decidiu desistir da compra de uma aeronave modelo Black Hawk destinada à Polícia Militar após desconfiar que o equipamento, apresentado como novo, poderia na verdade ser usado. A decisão ocorreu depois de auditorias internas identificarem inconsistências no processo de aquisição e levantarem preocupações sobre a real condição do helicóptero militar.
A compra havia sido anunciada no início do ano como parte da estratégia de ampliação do aparato aéreo das forças de segurança do estado. O Black Hawk, famoso por uso em operações militares nos Estados Unidos e em zonas de guerra ao redor do mundo, seria empregado em ações policiais de grande porte no Rio. Entretanto, técnicos do governo passaram a questionar o valor considerado abaixo do mercado e suspeitaram que peças da aeronave poderiam já ter sido utilizadas anteriormente. Além disso, surgiram dúvidas sobre possíveis vínculos entre empresas envolvidas na licitação, aumentando a pressão sobre o contrato.
Suspeitas e polêmica
Outro ponto que pesou contra a aquisição foi a avaliação operacional feita por especialistas da área de segurança. Segundo análises técnicas, o Black Hawk possui grande porte e elevada potência, características que poderiam dificultar manobras em áreas urbanas densamente povoadas, como comunidades do Rio de Janeiro. Havia preocupação inclusive com o impacto causado pela força das hélices em voos de baixa altitude, capaz de deslocar telhados e provocar riscos adicionais em operações policiais. O governo concluiu que o modelo talvez não fosse adequado para a realidade das ações urbanas no estado.
Com a repercussão do caso, o processo de compra foi suspenso para análise técnica e jurídica, e nenhum pagamento chegou a ser efetuado. O episódio abriu uma nova frente de desgaste para a gestão estadual e reacendeu o debate sobre transparência em contratos públicos envolvendo equipamentos militares de alto valor. Enquanto opositores cobram explicações detalhadas sobre a negociação, o governo afirma que todas as aquisições passam por revisão criteriosa e que a suspensão faz parte de um pente-fino administrativo realizado nos contratos em andamento.