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Maternidade sob pressão: 9 em cada 10 brasileiras relatam esgotamento mental, revela pesquisa

10/05/2026 10:14 Por Redação NTD

Levantamento acende alerta sobre burnout materno, culpa constante e sobrecarga emocional enfrentada por mães no Brasil

Flores, homenagens e mensagens emocionadas dominam o Dia das Mães, mas por trás das comemorações existe uma realidade silenciosa e alarmante. Uma pesquisa revelou que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental relacionado à maternidade, expondo um cenário de sobrecarga emocional, culpa constante e exaustão física que atinge milhões de mulheres no país. O levantamento, realizado pela comunidade B2Mamy em parceria com o aplicativo Kiddle Pass, ouviu cerca de 2 mil mães e mostrou que apenas uma pequena parcela das entrevistadas não apresenta sinais relevantes de desgaste psicológico. Os números reforçam um debate cada vez mais urgente sobre saúde mental materna e os impactos da rotina intensa enfrentada pelas mulheres. 

Os dados revelam um quadro preocupante e progressivo de sofrimento emocional. Segundo a pesquisa, cerca de 44% das mães apresentam sinais moderados de esgotamento, enquanto 33% enfrentam sintomas leves e mais de 9% já estão em estágio grave de burnout parental. Especialistas afirmam que o problema vai muito além do simples cansaço. A maternidade romantizada, a cobrança social para que a mulher consiga dar conta de tudo sozinha e a dupla jornada entre trabalho e cuidados domésticos estão entre os principais fatores apontados para o aumento do adoecimento mental. Além disso, a depressão pós-parto afeta entre 20% e 25% das brasileiras, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Saúde. 

Sobrecarga invisível

Especialistas alertam que o burnout materno pode provocar consequências profundas tanto para as mães quanto para os filhos. Entre os sintomas mais frequentes estão crises de ansiedade, insônia, dores de cabeça constantes, falta de energia, sensação de incompetência e distanciamento emocional. A neuropsicopedagoga Isa Minatel afirma que muitas mulheres vivem presas a um ciclo de culpa e insegurança alimentado pela pressão social em torno da maternidade perfeita. Segundo ela, o problema se agrava quando faltam rede de apoio, divisão de responsabilidades e acesso a suporte psicológico adequado. O impacto, porém, não fica restrito à mãe: estudos apontam que a saúde mental materna influencia diretamente o desenvolvimento emocional, físico e cognitivo das crianças. 

O avanço dos casos de esgotamento materno tem ampliado o debate sobre a necessidade de políticas públicas e mudanças culturais relacionadas à maternidade no Brasil. Psicólogos e especialistas em saúde mental defendem campanhas de conscientização, fortalecimento das redes de apoio familiar e maior acolhimento das mulheres durante a gestação e o pós-parto. A recomendação é que mães procurem ajuda profissional já nos primeiros sinais de sofrimento emocional persistente, evitando o agravamento do quadro. Em meio às celebrações do Dia das Mães, o levantamento acaba trazendo à tona uma discussão incômoda, mas cada vez mais necessária: quem cuida emocionalmente de quem passa a vida cuidando dos outros?