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“Robin Hood do funcionalismo”? Ricardo Couto mira cortes em cargos de elite para bancar recomposição salarial

08/05/2026 10:25 Por Redação NTD

Governador estuda enxugar gastos com altos cargos para tentar liberar recursos destinados aos servidores estaduais

Em meio à pressão crescente do funcionalismo, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, é o que pode ser chamado na política de uma espécie de “Robin Hood” da máquina pública. A ideia que está sendo colocada em prática pelo Palácio Guanabara é reduzir gastos com altos cargos comissionados e estruturas administrativas para direcionar parte da economia à recomposição salarial dos servidores estaduais; uma demanda histórica acumulada há anos e que voltou ao centro das discussões no estado.

Representantes de categorias do funcionalismo se reuniram nesta semana com integrantes do governo estadual para discutir alternativas financeiras capazes de viabilizar o pagamento das parcelas restantes da recomposição salarial. Segundo interlocutores do Executivo, uma das estratégias avaliadas envolve mais revisões de despesas administrativas consideradas elevadas, incluindo possíveis cortes em cargos de confiança e reestruturações internas em secretarias estaduais. A recomposição prevista em lei soma 26,11%, mas apenas parte dela foi efetivamente quitada até agora.

Cortes para pagar servidores

A movimentação do governo acontece em um cenário delicado para as contas públicas fluminenses. Apesar das limitações fiscais e das incertezas sobre arrecadação, integrantes do governo estadual avaliam que reduzir despesas da alta estrutura administrativa poderia abrir espaço para atender parcialmente as reivindicações do funcionalismo sem provocar um desequilíbrio imediato nas finanças estaduais. Nos corredores da Alerj, o “efeito Robin Hood”, ao transferir recursos de áreas consideradas privilegiadas para tentar aliviar a situação salarial dos servidores, gera incômodo em alguns dos deputados que, impotentes, veem, protegidos perderem seus cargos dia após dia.

Enquanto isso, sindicatos prometem intensificar a pressão por um calendário oficial de pagamento e cobram rapidez nas definições do governo. A expectativa entre categorias da educação, segurança, e saúde é de que novas medidas sejam anunciadas ainda neste semestre. O debate também ocorre em meio ao desgaste político provocado por investigações recentes envolvendo contratos públicos e pela prisão do deputado estadual Thiago Rangel, aumentando a tensão nos bastidores do governo estadual.