Projeto vai bombear milhões de toneladas de areia do fundo do oceano para reconstruir parte do litoral de Nova Jersey
O fundo do Oceano Atlântico virou alvo de uma gigantesca operação de engenharia nos Estados Unidos. Em uma corrida contra o avanço do mar e a erosão que ameaça cidades inteiras, o governo norte-americano começou a retirar milhões de metros cúbicos de areia do fundo oceânico para reconstruir praias do estado de Nova Jersey. A ação, considerada uma das maiores intervenções costeiras recentes do país, prevê o bombeamento de cerca de 2,1 milhões de jardas cúbicas de areia para reforçar o litoral e criar uma barreira natural contra tempestades e ressacas.
O projeto faz parte do programa “Manasquan Inlet to Barnegat Inlet”, conduzido pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. A operação, avaliada em US$ 73,5 milhões, utilizará dragas especializadas para sugar areia de áreas autorizadas no fundo do Atlântico e despejá-la em regiões vulneráveis entre cidades costeiras como Seaside Heights, Toms River e Point Pleasant Beach. Além da recomposição das praias, o plano inclui recuperação de dunas, vegetação costeira, e estruturas de contenção natural.
Corrida contra o oceano
Especialistas apontam que o litoral da costa leste americana sofre há décadas com erosão acelerada, agravada por tempestades cada vez mais intensas e pela elevação do nível do mar. O trauma causado pelo furacão Sandy, em 2012, ainda influencia as políticas costeiras dos EUA, e ajudou a transformar projetos de “engorda de praias” em prioridade nacional. Em vez de apostar apenas em muros e barreiras de concreto, as autoridades passaram a investir em soluções que utilizam a própria areia como amortecedor natural contra o impacto das ondas.
A operação em Nova Jersey deve durar vários meses, e reforça um cenário que vem se tornando cada vez mais comum em diversas regiões costeiras americanas: gastar muito dinheiro para tentar conter o avanço do oceano. O processo também levanta debates ambientais sobre impactos da dragagem no ecossistema marinho, e sobre até quando intervenções desse porte serão suficientes diante das mudanças climáticas e do aumento contínuo do nível dos mares.