Nova ofensiva do Palácio Guanabara promete vasculhar passado de indicados e pode provocar queda em série de nomeações políticas
O Palácio Guanabara decidiu ligar o alerta máximo dentro da máquina pública. Em uma medida que já provoca tensão nos bastidores políticos, o governo do Rio vai criar um sistema de classificação de risco para cargos comissionados, transformando cada nome indicado para funções estratégicas em alvo de uma verdadeira devassa administrativa. A nova política prevê uma investigação detalhada da vida profissional, financeira e judicial dos escolhidos antes da assinatura da nomeação.
A análise ficará sob responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional do estado, que deverá cruzar dados sobre antecedentes criminais, pendências judiciais, situação fiscal, histórico funcional e possíveis ligações consideradas sensíveis pela administração estadual. Nos corredores do governo, a medida já é vista como uma espécie de “pente-fino de confiança”, capaz de barrar indicações políticas antes mesmo que elas cheguem oficialmente ao Diário Oficial.
Clima de tensão no governo
A nova regra surge em meio a uma ampla reorganização interna promovida pelo governo fluminense, marcada por exonerações, cortes de despesas e revisão de estruturas consideradas inchadas. A avaliação reservada de servidores comissionados teria aumentado o clima de insegurança entre aliados políticos e ocupantes de cargos estratégicos, especialmente após sucessivas mudanças na administração estadual nas últimas semanas.
Além do controle mais rígido sobre nomeações, integrantes do governo defendem reduzir drasticamente o número de cargos de confiança e ampliar o peso de servidores concursados na máquina pública. Nos bastidores, a leitura é de que o novo sistema poderá atingir diretamente acordos políticos tradicionais e dificultar indicações feitas apenas por influência partidária, inaugurando uma nova fase de vigilância dentro do estado.