Ministério Público aponta risco de interferência em investigações e ligação com organização criminosa armada
O cerco judicial contra Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 7. Considerado um dos nomes mais influentes da contravenção no Rio de Janeiro, o bicheiro continuará longe do estado após decisão favorável ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que conseguiu impedir seu retorno ao território fluminense. A medida mantém o contraventor custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, sob o argumento de que sua presença no Rio poderia comprometer investigações em andamento e facilitar a atuação da organização criminosa ligada a ele.
O pedido foi apresentado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que destacou a posição de liderança exercida por Adilsinho em um grupo investigado por homicídios relacionados ao comércio ilegal de cigarros paraguaios, além de vínculos com o jogo do bicho e contatos com agentes de segurança pública. A decisão foi acolhida pela 1ª Vara Criminal da Capital, que considerou necessária a permanência do investigado em um presídio federal para evitar interferências na produção de provas e no andamento das apurações.
Investigação ampliada
Adilsinho foi preso em fevereiro deste ano em uma casa de praia em Cabo Frio, na Região dos Lagos, durante operação da Polícia Federal. Segundo os investigadores, a captura foi resultado de um trabalho de inteligência, monitoramento e cruzamento de dados que buscava desmontar uma organização criminosa armada com atuação interestadual. A PF afirma que o grupo utilizava violência e intimidação para controlar áreas ligadas ao comércio ilegal de cigarros.
A manutenção do contraventor em uma unidade federal é vista por integrantes do Ministério Público como estratégica para enfraquecer a comunicação da quadrilha com integrantes que seguem atuando no Rio de Janeiro. O caso segue em investigação e pode gerar novos desdobramentos envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de milícias e grupos ligados à contravenção no estado.