Popularização de conteúdos amplia acesso à informação, mas também impulsiona modismos e uso inadequado de produtos
Entre vídeos virais e rotinas de beleza compartilhadas em poucos segundos, o cuidado com a pele deixou de ser restrito a consultórios e ganhou status de fenômeno digital. Plataformas como Instagram e TikTok transformaram o skincare em tendência global, influenciando hábitos, consumo e até a forma como as pessoas enxergam a própria pele... Para o bem e para o excesso.
Segundo o especialista em varejo Lucas Penteado, fundador da Piny, esse movimento democratizou o acesso à informação e elevou o nível de conhecimento do público. “As redes democratizaram o acesso à informação de uma forma inédita. O Instagram criou uma cultura visual em torno da pele, enquanto o TikTok acelerou a disseminação de tendências, fazendo com que ativos e técnicas cheguem a milhões de pessoas em poucas horas”, explica. No entanto, ele alerta que nem sempre essa informação vem com qualidade, o que pode gerar escolhas inadequadas e expectativas irreais.
Entre informação e excesso
O papel dos influenciadores digitais, nesse cenário, é ambíguo. Se por um lado há criadores que ampliam o acesso ao conhecimento e incentivam práticas positivas, como o uso de protetor solar, por outro, a falta de transparência em publicações patrocinadas pode confundir o público. A linha entre recomendação e publicidade, muitas vezes, se torna difusa, incentivando rotinas complexas e a ideia equivocada de que mais produtos significam melhores resultados. Especialistas também alertam para os riscos das tendências virais, que nem sempre consideram as particularidades de cada pele. O uso indiscriminado de ativos ou combinações inadequadas pode causar irritações, sensibilidade e danos à barreira cutânea.
Para a especialista em beleza e diretora de marketing Luna Feldmann da Le Moritz, o problema se agrava no caso de peles maduras, frequentemente negligenciadas nesse tipo de conteúdo, que costuma focar em rotinas voltadas para públicos mais jovens. “A pele madura tem necessidades específicas, como menor produção de colágeno e maior sensibilidade. Quando essa mulher segue rotinas voltadas para peles jovens, muitas vezes não vê resultados, não por erro, mas porque aquela informação não foi feita para ela”, destaca. Diante desse cenário, a recomendação é adotar uma postura crítica: verificar a origem das informações, priorizar fontes confiáveis e desconfiar de promessas rápidas ou rotinas excessivas. O chamado “cosmetic overload”, ou uso exagerado de produtos, pode comprometer a saúde da pele e agravar problemas existentes. Ou seja, uma rotina simples e consistente tende a ser mais eficaz do que qualquer tendência passageira das redes sociais.