Exonerações em massa atingem gabinete do governo após investigação de importunação sexual e denúncias de represálias
Um escândalo de assédio sexual dentro do coração do poder em Mato Grosso terminou em demissões em série e deixou rastros de indignação. O secretário-adjunto Leomindo de Arruda Maciel Júnior foi exonerado após ser indiciado por importunação sexual contra uma servidora, em um caso que envolve mensagens íntimas, supostas ofertas de vantagens e até represálias dentro do ambiente de trabalho. A crise não parou nele: outras servidoras ligadas ao caso também foram desligadas, ampliando a dimensão política e administrativa do episódio.
As exonerações foram oficializadas no Diário Oficial e fazem parte de uma reestruturação mais ampla dentro do governo estadual. Ao todo, 15 servidores da área de cerimonial e eventos foram desligados, embora parte deles tenha sido reaproveitada em outras funções. Fora da reacomodação ficaram justamente o ex-secretário, a vítima da denúncia e outras servidoras associadas ao caso, o que gerou questionamentos sobre os critérios adotados. Em nota, o governo afirmou que as mudanças visam reorganizar a estrutura administrativa e otimizar a máquina pública.
Denúncia e bastidores
De acordo com a investigação, os episódios teriam começado ainda em 2025, durante eventos institucionais. A vítima relatou que o então secretário fez investidas pessoais, enviou mensagens fora do horário de trabalho e chegou a sugerir benefícios financeiros em troca de um relacionamento. Ao recusar as abordagens, ela afirma ter sofrido retaliações, como aumento de demandas, exclusão de atividades e disseminação de boatos sobre um suposto envolvimento entre os dois.
O caso, que agora tramita sob sigilo na Justiça em Cuiabá, levanta discussões sobre abuso de poder, assédio em ambientes institucionais e a proteção de vítimas dentro do serviço público. A denunciante afirma ter buscado ajuda interna sem sucesso antes de recorrer à polícia e diz viver sob forte abalo emocional. Enquanto isso, o governo tenta conter os danos políticos de um episódio que expõe fragilidades na gestão e reacende o debate sobre mecanismos de combate ao assédio no setor público.