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“Tua Ficha Tá Preta?” chega ao Rio e transforma bastidores da cultura em vitrine antirracista

01/05/2026 15:36 Por Redação NTD

Projeto cria banco de dados de profissionais negros e questiona a ausência de diversidade nas equipes criativas do setor cultural

No coração do Centro do Rio, onde tantas histórias da cultura brasileira se cruzam, um novo movimento promete virar o foco dos holofotes: desta vez, não apenas para quem está no palco, mas para quem constrói a arte nos bastidores. O projeto “Tua Ficha Tá Preta?” desembarca na cidade com a proposta de expor, valorizar e conectar profissionais negros da cultura, confrontando a recorrente justificativa de que não há profissionais pretos conhecidos para contratação. Idealizado pela produtora Aline Mohamad, o lançamento acontece no dia 4 de maio, às 19h00, na Sala Funarte Sidney Miller. 

Criado a partir de um incômodo com a exclusão estrutural no setor cultural, o projeto já passou por São Paulo, onde foi viabilizado pelo edital emergencial PROAC LAB 42/2020, e agora chega ao Rio ampliando sua proposta. A iniciativa reúne três frentes principais: pílulas audiovisuais com video-bios de 24 profissionais, um site que funciona como banco de dados e portfólio, e atuação nas redes sociais, facilitando o acesso de contratantes a talentos negros qualificados. 

Bastidores em evidência

Antes do lançamento, a ação “Queremos Saber” entrevistou 700 pessoas em teatros cariocas para medir o quanto o público observa fichas técnicas e reconhece profissionais negros nesses espaços — dados que serão divulgados na plataforma. Para Aline Mohamad, o problema vai além da representatividade em cena e atinge diretamente os processos criativos, ainda dominados por equipes pouco diversas. A proposta é “racializar” também os bastidores e ampliar as oportunidades em todas as etapas da produção cultural.

Na sequência, o projeto promove novas ações como a intervenção urbana “A Grande Pergunta”, com uma interrogação preta circulando por pontos estratégicos da cidade e totens em teatros com QR Codes para acesso direto à plataforma. Com foco em empregabilidade e visibilidade, “Tua Ficha Tá Preta?” também levanta o debate sobre o racismo velado no Brasil e defende a busca por equidade real no setor cultural, indo além da presença simbólica e apostando em transformação estrutural.